Risco Ampliado por Mudanças Climáticas e Ações Humanas
O patrimônio cultural de Minas Gerais, especialmente suas igrejas históricas, enfrenta um cenário de risco elevado. Tempestades severas, raios, deslizamentos de terra e até mesmo incêndios criminosos somam-se a furtos e vandalismo, acendendo um alerta máximo entre órgãos de preservação e comunidades locais. A situação se agrava com as mudanças climáticas, que intensificam eventos naturais extremos, e a ação humana, que por vezes demonstra desrespeito ao legado histórico.
Incidências Recentes Elevam a Preocupação
Em um período de pouco mais de um mês, a partir de janeiro, diversos incidentes chamaram a atenção. Em Conceição do Mato Dentro, na Região Central, um raio atingiu a torre da Igreja Nossa Senhora do Rosário em fevereiro, causando danos estruturais significativos na parte superior da edificação. Felizmente, não houve vítimas, mas a necessidade de avaliação técnica e intervenções preventivas tornou-se urgente, especialmente considerando a ausência de um sistema de proteção contra descargas atmosféricas.
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Em São João del-Rei, na Região do Campo das Vertentes, a Igreja Nossa Senhora do Carmo foi alvo de pichação, um ato de vandalismo que levou à abertura de inquérito policial com base em imagens de câmeras de segurança. A prefeitura local, em nota, destacou a importância da articulação entre o município, a paróquia e órgãos de proteção para definir medidas paliativas e definitivas.
Diamantina e a Fragilidade de Templos Históricos
O Vale do Jequitinhonha também registrou danos. Em Diamantina, Patrimônio Mundial da UNESCO, a Igreja Nossa Senhora do Rosário, interditada desde meados do ano anterior, sofreu com o desabamento de parte de sua cimalha após forte chuva em janeiro. A preocupação é com o colapso total da estrutura de 1728, o que levou à transferência de eventos tradicionais como as festas Junina e do Rosário.
O Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan) em Minas Gerais já possui um processo administrativo em andamento desde 2023 para a contratação do projeto arquitetônico de restauro da igreja, com previsão de conclusão dos projetos ainda este ano. O órgão monitora periodicamente fissuras e trincas, em colaboração com a prefeitura, e um novo processo para escoramentos preventivos aguarda desdobramentos. No entanto, ainda não há definição de recursos para a obra de restauração em si.
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Deslizamentos e Ações Preventivas em Lima Duarte
As mudanças climáticas também se manifestaram em Lima Duarte, na Zona da Mata, onde um deslizamento de terra atingiu a Igreja Nossa Senhora Aparecida em janeiro. A construção, datada de 2012, já se encontrava interditada por risco de deslizamento de um talude próximo. As celebrações foram transferidas para uma igreja mais antiga na comunidade.
Iniciativas de Preservação e Recomendações
Diante deste cenário, o Instituto Estadual do Patrimônio Histórico e Artístico de Minas Gerais (Iepha-MG) instituiu a Comissão do Patrimônio Cultural e Mudanças Climáticas. O objetivo é desenvolver estratégias para a preservação do patrimônio cultural frente às alterações climáticas, divulgando recomendações importantes para gestores e proprietários de bens culturais.
Entre as orientações do Iepha-MG, destacam-se a limpeza regular de calhas, a recolocação de telhas, a busca por orientação especializada para reparos em objetos de valor cultural, e a observação atenta de trincas e movimentações do terreno. Em períodos chuvosos, a limpeza deve ser feita com cuidado, evitando excesso de água em superfícies antigas e a utilização de ferramentas que possam danificar o patrimônio.
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Casos de Vandalismo e Furto em Belo Horizonte e Região Metropolitana
Em Belo Horizonte, o Santuário Arquidiocesano da Santíssima Eucaristia (Igreja Boa Viagem) foi alvo de arrombamento e furto em fevereiro. Objetos como um ventilador e esculturas, incluindo uma obra de Carlos Drummond de Andrade, foram levados. O pároco da igreja tem reiteradamente solicitado mais vigilância às autoridades, relatando situações de perigo e degradação na Praça Boa Viagem.
Em Raposos, na Região Metropolitana de Belo Horizonte, a Matriz Nossa Senhora da Conceição, um templo de 1690 tombado pelo Iphan, quase sofreu danos maiores quando uma mulher ateou fogo a um colchão na porta da igreja. A ação rápida de moradores evitou que as chamas se alastrassem, embora a porta antiga tenha sofrido danos. A mulher foi detida, mas liberada posteriormente.
A Polícia Militar de Minas Gerais (PMMG) e a Guarda Civil Municipal informam que realizam ações preventivas e patrulhamento constante nas áreas de risco, com reforço de segurança e intensificação das rondas. A colaboração da comunidade, através de denúncias imediatas pelos canais de emergência, é fundamental para a eficácia das ações de segurança pública.
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Fonte: Estado de Minas