A escalada de conflitos no Oriente Médio acende um alerta para a economia de Minas Gerais, especialmente para o setor exportador. Embora ainda não haja recusa de pedidos ou descumprimento de contratos, a instabilidade geopolítica no exterior já sinaliza potenciais aumentos nos custos logísticos e de seguros, além de possível volatilidade no câmbio.
Aumento nos Custos Logísticos e de Energia
O impacto mais imediato e observável reside na logística global. A coordenadora de Facilitação de Negócios Internacionais da Fiemg, Verônica Winter, aponta para um possível encarecimento de fretes e seguros, além de desvios de rota e atrasos de embarcações. Essa dinâmica, semelhante à observada durante a pandemia de Covid-19, pode afetar a competitividade de produtos mineiros no mercado internacional.
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A alta no preço do petróleo, um reflexo quase automático de crises na região, também eleva os custos de energia e impacta toda a cadeia produtiva. Para Minas Gerais, que possui uma extensa malha rodoviária essencial para o escoamento de mercadorias, o aumento no preço dos combustíveis, como diesel e gasolina, encarece o transporte e a produção.
Principais Exportações Mineiras em Risco
Minas Gerais tem como carro-chefe de suas exportações o minério de ferro, com movimentação bilionária. O agronegócio também figura com destaque, com produtos como açúcar, café e carnes sendo direcionados para o mercado internacional. Tubos e perfis de ferro e aço também são demandados por países do Oriente Médio.
Apesar do volume considerável de negócios com nações como Arábia Saudita, Emirados Árabes Unidos e Irã, a percepção inicial é de atenção, mas sem pânico. Verônica Winter ressalta que esses países, embora relevantes, não são os principais parceiros comerciais para muitos produtos mineiros, com a China dominando grande parte das exportações de itens como a soja.
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Neutralidade Diplomática e seus Efeitos
No cenário diplomático, a postura do Brasil tem sido de neutralidade. Tomar partido abertamente em um conflito dessa magnitude poderia tensionar relações bilaterais importantes, afetando acordos em áreas como comércio e energia. A doutora em direito internacional Maria Bueno destaca que a estratégia brasileira de preservar equilíbrio e prudência é fundamental para proteger interesses de longo prazo.
A incerteza geopolítica, no entanto, pode ter reflexos no câmbio. O economista Paulo Casaca, da Fundação Ipead/UFMG, teme que a instabilidade no Oriente Médio possa desvalorizar o real frente ao dólar, impactando diretamente as exportações, especialmente as de carne. A magnitude desse efeito dependerá dos desdobramentos do conflito nas próximas semanas.
Impacto no Câmbio e a Dependência Energética
A desvalorização do câmbio é vista como um impacto mais imediato. A incerteza global tende a fortalecer o dólar, tornando os produtos brasileiros mais caros para compradores internacionais. Além disso, a dependência brasileira de derivados de petróleo, mesmo sendo produtor, significa que a alta do barril de petróleo no mercado internacional se reflete nos preços domésticos dos combustíveis.
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O fechamento ou comprometimento de rotas estratégicas, como o Estreito de Ormuz, por onde passa uma parcela significativa do petróleo mundial, pode amplificar drasticamente a alta do barril. O reflexo seria sentido em toda a cadeia produtiva e no custo final dos produtos mineiros exportados, reduzindo sua competitividade global.
Fonte: Estado de Minas