Governistas pedem retirada da maioridade penal da PEC da Segurança Pública antes de votação

Governistas pedem retirada da maioridade penal da PEC da Segurança Pública antes de votação

Deputados alinhados ao governo federal solicitaram nesta terça-feira (3) a retirada do trecho que propõe a redução da maioridade penal de 18 para 16 anos da Proposta de Emenda à Constituição (PEC) da Segurança Pública. A medida, que pode ser votada nesta quarta-feira (4) em comissão especial da Câmara, tem gerado forte divergência entre as […]

Resumo

Deputados alinhados ao governo federal solicitaram nesta terça-feira (3) a retirada do trecho que propõe a redução da maioridade penal de 18 para 16 anos da Proposta de Emenda à Constituição (PEC) da Segurança Pública. A medida, que pode ser votada nesta quarta-feira (4) em comissão especial da Câmara, tem gerado forte divergência entre as bancadas.

O pedido foi feito em reunião entre representantes do PT, PCdoB, PSOL e Rede com o relator da matéria, Mendonça Filho (União-PE). Mais cedo, o Palácio do Planalto já havia articulado com parlamentares uma reação à proposta.

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O relator afirmou que irá “refletir” sobre o pedido e dará uma resposta até a manhã de quarta-feira, antes da votação na comissão especial. Após essa etapa, o texto ainda precisa passar pelo plenário da Câmara.

Zé Guimarães (PT-CE), líder do governo na Câmara, destacou a necessidade de buscar um consenso sobre o tema, ressaltando que o ambiente político atual não favorece avanços sem amplo acordo.

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Tarcísio Motta (PSOL-RJ), que participou do encontro com Mendonça Filho, declarou que a esquerda pretende obstruir a votação caso a redução da maioridade penal seja mantida no texto da PEC.

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O deputado do PSOL também apontou outras preocupações na proposta, como a possibilidade de a Câmara sustar resoluções do Conselho Nacional de Justiça (CNJ) e do Conselho Nacional do Ministério Público (CNMP), a descentralização de políticas, a perda do direito de voto por criminosos e questões relativas ao financiamento público da segurança.

A intenção original da PEC, segundo Motta, era a de coordenar e integrar as forças de segurança e financiar o Sistema Único de Segurança Pública (Susp). Ele critica o fato de o texto do relator ter buscado fontes de financiamento que podem impactar negativamente as áreas de educação e saúde, além de enfraquecer a Polícia Federal.

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Jandira Feghali (PCdoB-RJ) criticou o que considera um distanciamento do objetivo inicial da PEC, que visava dar à União poderes para coordenar políticas de enfrentamento ao crime organizado, em analogia ao Sistema Único de Saúde (SUS).

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“O texto (do relator) tirou a palavra ‘coordenação’ e trocou por ‘cooperação’. Isso impede um sistema integrado”, explicou Feghali, defendendo que a PEC trate de temas estruturantes e não de matéria penal.

Apesar do apelo governista, a proposta de redução da maioridade penal enfrenta resistência de outros setores. Pedro Lucas (MA), líder do União Brasil na Câmara, manifestou nas redes sociais que seu partido lutará para manter o trecho na PEC, argumentando que é um tema que precisa ser enfrentado com “responsabilidade e coragem”.

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A PEC, idealizada pelo ex-ministro da Justiça e Segurança Pública, Ricardo Lewandowski, era vista como uma das principais apostas do governo Lula na área de segurança. A versão original buscava ampliar as atribuições da Polícia Rodoviária Federal e da Polícia Federal, além de incluir o Susp e fundos nacionais de financiamento do setor na Constituição.

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No entanto, o relatório apresentado por Mendonça Filho em dezembro trouxe alterações significativas, misturando elementos de outros projetos. O texto atual prevê a redução da maioridade penal, o endurecimento penal contra membros de facções criminosas e a blindagem dos estados contra a influência da União na definição de políticas públicas, contrariando a proposição inicial de Lewandowski.

Fonte: G1

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