Fórum de Lisboa encolhe participação de autoridades brasileiras e mira agenda global

Fórum de Lisboa encolhe participação de autoridades brasileiras e mira agenda global

O 14º Fórum de Lisboa, que se inicia nesta segunda-feira (1º de junho de 2026) em Portugal, apresentará uma delegação brasileira com menos autoridades em comparação com a edição anterior. O evento, que tradicionalmente reúne o establishment político e jurídico do Brasil, contará com a presença de 2 ministros do Supremo Tribunal Federal (STF), 11 […]

Resumo

O 14º Fórum de Lisboa, que se inicia nesta segunda-feira (1º de junho de 2026) em Portugal, apresentará uma delegação brasileira com menos autoridades em comparação com a edição anterior. O evento, que tradicionalmente reúne o establishment político e jurídico do Brasil, contará com a presença de 2 ministros do Supremo Tribunal Federal (STF), 11 do Superior Tribunal de Justiça (STJ) e 4 do Tribunal de Contas da União (TCU).

O número total de participantes no Fórum de Lisboa atingiu um recorde em 2026, com 450 pessoas, um aumento em relação aos 360 de 2025. No entanto, o contingente de autoridades brasileiras sofreu uma redução, com exceção do Legislativo, que terá dois congressistas a mais neste ano.

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A mudança na temática central do encontro, agora mais globalizada, é apontada como o motivo para a maior presença de palestrantes estrangeiros, distanciando-se do foco exclusivo em Brasil e Portugal.

Edição de 2026 adota tema global e atrai nomes internacionais

O evento, apelidado de “Gilmarpalooza” em referência ao ministro Gilmar Mendes, um dos anfitriões, consolidou-se como um ponto de encontro entre autoridades, empresários, advogados e lobistas. Em 2026, o foco se volta para questões de abrangência internacional, sob o tema “Nova ordem internacional, tecnologia e soberania: desafios democráticos, econômicos e sociais”.

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A agenda busca debater temas como a relação do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, com conflitos globais. Entre os convidados estrangeiros de destaque estão o vencedor do Prêmio Nobel de Economia, Joel Mokyr, e o jornalista premiado com o Pulitzer, Thomas Friedman.

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O ministro Gilmar Mendes, decano do STF, minimizou a redução no número de autoridades brasileiras, atribuindo-a a um ano eleitoral. Ele destacou a importância da internacionalização do Fórum.

Mudanças no STF e ausências notáveis

No STF, além de Gilmar Mendes, o ministro Alexandre de Moraes participará do painel “Democracia, populismo e polarização ideológica”. São os únicos membros da Corte presentes este ano, diferentemente de 2025, que contou com a participação de Roberto Barroso.

O ministro André Mendonça, que esteve presente em 2025, não participará da edição deste ano. Sua ausência ocorre em um contexto de discussões sobre um Código de Ética para magistrados e a investigação sobre o Banco Master.

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O senador Ciro Nogueira (PP-PI), que participou do Fórum em 2025, também não estará presente em 2026. Sua ausência ocorre após investigações da Polícia Federal que o ligam ao fundador do Banco Master.

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A redução de autoridades brasileiras também se estende aos governadores, com apenas Wanderlei Barbosa (Republicanos), do Tocantins, confirmado. No Poder Executivo, a baixa significativa é a do Advogado-Geral da União, Jorge Messias.

Temas domésticos ganham espaço em meio à agenda internacional

Apesar do foco internacional, temas domésticos de relevância política devem permear os debates. O ministro Alexandre Silveira (Minas e Energia) abordará a soberania nacional em um momento de tensões com os EUA sobre a classificação de facções criminosas como organizações terroristas.

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O ministro do Empreendedorismo, Paulo Henrique Pereira, discutirá os impactos da redução da jornada de trabalho, uma pauta cara ao governo federal e que avança no Congresso Nacional.

A agenda do Fórum inclui ainda discussões sobre fraudes digitais, com a participação de representantes do setor financeiro, como André Esteves, co-fundador do BTG Pactual. Gabriel Galípolo, presidente do Banco Central, e Magda Chambriard, presidente da Petrobras, debaterão os rumos da economia brasileira.

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Outros temas em pauta são segurança pública, soberania tecnológica, apostas on-line, regulação digital, inteligência artificial nas eleições, minerais críticos e o acordo Mercosul-União Europeia.

Críticas e defesas sobre os encontros privados

Durante o evento, festas e jantares privados oferecidos por empresas a participantes são criticados por promoverem proximidade entre empresários e operadores do direito. Gilmar Mendes defende esses encontros como oportunidades para que membros do Judiciário reflitam sobre temas contemporâneos e troquem experiências.

Entre os empresários confirmados estão nomes como André Esteves (BTG Pactual), Fábio Chilo (JBS), Luiza Trajano (Magazine Luiza), Luiz Carlos Trabuco Cappi (Banco Bradesco), Ricardo Faria (Grupo Granja Faria), Fábio Gaspar (Shell Brasil), Eduardo Lopes (Nubank), Anderson Baranov (Norsk Hydro Brasil) e Eduardo Sattamini (Engie Brasil).

O 14º Fórum de Lisboa é organizado pelo IDP (Instituto Brasileiro de Ensino, Desenvolvimento e Pesquisa), a FGV Justiça e o Lisbon Public Law Research Centre. O IDP foi fundado por Gilmar Mendes em Brasília.

O evento conta com o Alto Patrocínio da Presidência da República Portuguesa, uma chancela de reconhecimento e prestígio institucional, segundo a organização.

Fonte: Poder360

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