O ex-presidente da Coreia do Sul, Yoon Suk Yeol, foi sentenciado a cinco anos de prisão nesta sexta-feira por obstrução da Justiça, em um desdobramento crucial da tentativa fracassada de impor a lei marcial em dezembro de 2024. A decisão marca um ponto de virada na crise política que abalou o país e culminou em sua destituição.
A pena imposta pelo Tribunal Distrital Central de Seul foi significativamente menor que os dez anos solicitados pela promotoria. Yoon, um ex-promotor de 65 anos, é acusado de manobras para excluir membros do governo de reuniões preparatórias para a lei marcial e de se entrincheirar em sua residência oficial para evitar a prisão, sob proteção de sua guarda pessoal.
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Detenção após semanas de resistência
Após uma operação que se estendeu por várias horas, Yoon foi detido em janeiro do ano passado. A sentença proferida pelo juiz Baek Dae-hyun destacou a gravidade da conduta do ex-presidente, que, segundo o magistrado, demonstrou ignorar a Constituição e o Estado de Direito, apesar de seu dever de defendê-los.
O juiz ressaltou que Yoon não foi considerado culpado de falsificação de documentos oficiais por falta de provas. A defesa tem o prazo de sete dias para apresentar um recurso contra a decisão.
Ameaça de pena de morte em outro processo
A condenação chega em um momento delicado, dias após a promotoria ter solicitado a pena capital para Yoon em outro julgamento. Neste processo, ele é acusado de ser o “líder de uma insurreição” ao articular a imposição da lei marcial. A acusação argumenta que Yoon merece a punição máxima por não demonstrar “remorso” e por ameaçar a “ordem constitucional e a democracia”.
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Embora a pena de morte tenha sido solicitada, sua execução é considerada improvável, uma vez que a Coreia do Sul mantém uma moratória não oficial sobre execuções desde 1997. Yoon, no entanto, defende que a decretação da lei marcial foi um exercício legítimo de sua autoridade presidencial para proteger a nação e manter a ordem constitucional, acusando a oposição de “ditadura inconstitucional” pelo controle do Legislativo.
Contexto e repercussões internacionais
A crise política na Coreia do Sul gerou meses de protestos em massa e instabilidade. A tentativa de impor a lei marcial, segundo o ex-presidente, foi uma resposta à percepção de um “despertar do povo soberano” frente a um cenário político que ele considerava inconstitucional. A comunidade internacional acompanha de perto os desdobramentos, que podem ter impacto na já tensa geopolítica da Península Coreana e nas relações diplomáticas do país asiático.
Fonte: G1
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