O ex-prefeito de Chácara, município na Zona da Mata mineira, Emerson Damião Duque, está foragido após ser denunciado pelo Ministério Público de Minas Gerais (MPMG) por chefiar uma organização criminosa. A investigação, batizada de operação ‘Prenda-me se for capaz’, aponta Duque como líder de um esquema sofisticado de exploração de jogos de azar, prostituição e lavagem de dinheiro, com atuação em Juiz de Fora e cidades vizinhas.
Grupo é acusado de obstruir investigações do Gaeco
Segundo o MPMG, o grupo utilizava mecanismos complexos para impedir a ação da Justiça e manter suas atividades ilícitas. O ex-prefeito, que administrou Chácara entre 2017 e 2020, teria assumido a liderança da organização em dezembro de 2020, valendo-se de informantes policiais para obter informações sigilosas sobre operações do Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco).
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Emerson Damião Duque já havia sido condenado em primeira instância em 2016 por abuso de poder econômico e captação ilícita de votos em eleições municipais.
Advogado e policial militar entre os denunciados
Além de Duque, o MPMG denunciou o advogado Eider Cunha Tavares, preso na última segunda-feira (9), e o policial militar Carlos Leonardo Zamblute Martins. O advogado é suspeito de ser o elo estratégico do grupo, utilizando conhecimentos jurídicos para orientar a obstrução de investigações, incluindo a fabricação de denúncias falsas e a orientação sobre como evitar a produção de provas.
O policial militar, por sua vez, é acusado de vazar informações sigilosas para o ex-prefeito. Ele já foi condenado em outro processo por associação com traficantes em crimes de extorsão e agiotagem e foi preso na operação ‘Alibaba’ em julho de 2023. A Polícia Militar informou que ele está preso e um processo administrativo para sua demissão está em andamento.
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Outros membros e desdobramentos da investigação
Outros dois indivíduos foram identificados na denúncia. Washington Elias Silva é apontado como o braço operacional essencial na estratégia de obstrução, suspeito de participar na elaboração de uma denúncia falsa contra um sargento da PM que realizava autuações em pontos de jogos de azar. Lucas Pereira Tavares é acusado de vazar informações sobre a Operação ‘Lansky’, que combatia casas de prostituição e lavagem de dinheiro, e de gerenciar um grupo de mensagens para compartilhamento de informações sigilosas. Por ser réu primário, ele responderá em liberdade.
As defesas dos citados foram contatadas pelo G1, mas até a publicação desta reportagem, nenhuma havia se manifestado. A OAB de Juiz de Fora informou que não se manifesta sobre investigações em curso.
Fonte: G1
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