Documentos bancários obtidos pelo g1 apontam que uma ex-assessora do gabinete do deputado Mário Frias (PL-SP) realizou pagamentos e transferências de valores para o ex-chefe de gabinete e familiares do parlamentar entre fevereiro de 2023 e março de 2024.
A ex-funcionária, identificada como Gardênia Morais, que ocupou o cargo de secretária parlamentar durante o período, confirmou as transações e alegou que os repasses eram feitos mediante acordo com o então chefe de gabinete, Raphael Azevedo, com o conhecimento do deputado.
CONTINUA APÓS O ANÚNCIO
Segundo Gardênia, seu salário líquido na Câmara dos Deputados, que chegava a R$ 21 mil mensais, permitia que ela ficasse com cerca de R$ 6 mil a R$ 7 mil, devolvendo o restante.
Comprovantes revelam transferências e pagamentos
Os extratos bancários e comprovantes de PIX mostram diversas transferências realizadas por Gardênia Morais para Raphael Azevedo, sua ex-mulher e outra parente, totalizando mais de R$ 35 mil em repasses identificados.
Além disso, os documentos indicam que a ex-assessora pagou uma fatura de cartão de crédito de Juliana Frias, esposa do deputado, no valor de R$ 4.832,32, em dezembro de 2023.
CONTINUA APÓS O ANÚNCIO
Um outro comprovante aponta um PIX de R$ 1.000 para Maria Lucia Frias, mãe do parlamentar, em janeiro de 2024.
Empréstimos consignados e saque em dinheiro vivo
Os registros também revelam que Gardênia Morais tomou cinco empréstimos consignados em seu nome, somando R$ 174.886. Parte desses valores, segundo os documentos, foi transferida ao ex-chefe de gabinete em datas próximas aos empréstimos.
A ex-assessora afirmou que apenas um dos empréstimos foi para uso pessoal, e os demais foram feitos a pedido do deputado e de Azevedo para quitar dívidas de campanha de 2022.
CONTINUA APÓS O ANÚNCIO
Ela relatou que os empréstimos não foram quitados e que seu nome ficou negativado, levando-a a morar de favor na casa da ex-sogra.
Um saque em dinheiro vivo de R$ 49.999,99 em 27 de março de 2024 também foi identificado. Segundo a ex-assessora, o valor foi entregue, mas ela não revelou a quem. A transação envolveu depósitos de Raphael Azevedo e sua esposa na conta da assessora, que em seguida transferiu o valor para outra conta e sacou em espécie.
Acusação de “rachadinha” e contexto político
A prática de devolver parte do salário a parlamentares ou seus prepostos é conhecida como “rachadinha”, e pode configurar crime de peculato (desvio de recursos públicos).
CONTINUA APÓS O ANÚNCIO
Mário Frias ganhou notoriedade recentemente pela produção do filme “Dark Horse”, que retrata a trajetória do ex-presidente Jair Bolsonaro. O filme foi alvo de reportagens que indicaram pedido de financiamento ao banqueiro Daniel Vorcaro, preso em outro escândalo.
Posicionamento do deputado e ex-chefe de gabinete
Procurado, o atual chefe de gabinete de Mário Frias, Diego Ramos, afirmou desconhecer as suspeitas, pois assumiu o cargo após o período em questão, e expressou convicção de que Frias também não teria conhecimento.
Ramos sugeriu que “aparentemente são ex-funcionários aproveitando a situação midiática” e informou que enviaria os questionamentos ao deputado, que estaria no exterior. Mário Frias não se pronunciou até a publicação da reportagem.
O ex-chefe de gabinete Raphael Azevedo, que trabalhou no gabinete de Frias até fevereiro de 2024, não respondeu às tentativas de contato da reportagem.
Fonte: g1