Dez anos após liderar o impeachment de Dilma Rousseff e sofrer sua própria cassação e prisão, Eduardo Cunha ensaia um retorno à política. O ex-deputado federal, que foi uma figura central no cenário político brasileiro entre 2003 e 2016, mira a Câmara dos Deputados em Minas Gerais, utilizando uma tática semelhante àquela empregada pela ex-presidente em 2018.
Cunha transferiu seu domicílio eleitoral do Rio de Janeiro para Belo Horizonte e tem intensificado viagens pelo estado. O objetivo é construir uma base de apoio e conquistar votos para se eleger deputado federal, buscando uma nova oportunidade no Congresso Nacional.
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A estratégia de Minas Gerais
A escolha por Minas Gerais não é inédita no universo político brasileiro. Em 2018, Dilma Rousseff, após deixar a presidência, também trocou seu domicílio eleitoral, saindo de Porto Alegre (RS) para o estado mineiro, na tentativa de se eleger senadora. Naquela ocasião, contudo, a ex-presidente obteve um quarto lugar na disputa por duas vagas, não alcançando o êxito desejado.
Esta não é a primeira tentativa de Cunha de retornar ao cenário político após sua queda. Em 2022, ele se candidatou a deputado federal por São Paulo. No entanto, enfrentou sérias dificuldades na Justiça Eleitoral devido à cassação de seu mandato e às investigações da Operação Lava Jato. Sua candidatura só foi liberada a poucas semanas da eleição, resultando em apenas 5 mil votos e a derrota.
Motivações e redes de comunicação
Em entrevista ao jornal O Estado de S. Paulo, Cunha atribuiu sua mudança para Minas Gerais a uma combinação de fatores: pessoais, profissionais e políticos. Ele citou a presença de sua filha, Dani Cunha, como deputada federal pelo Rio de Janeiro, como um dos motivos para não competir no mesmo estado.
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Para alcançar o eleitorado mineiro, Cunha tem apostado em uma intensa agenda de viagens e, principalmente, na rede de rádios Maravilha FM. O Estadão identificou a presença dessa rede em pelo menos 13 cidades mineiras, com algumas emissoras registradas em nome de Daniel Cardoso de Sá, seu genro.
Outras rádios foram mencionadas pelo próprio Cunha em entrevistas à imprensa local, como a de Frutal, que ele afirmou pertencer ao pastor RR Soares. A localização das demais emissoras foi feita por meio de redes sociais, evidenciando a expansão da rede em cidades como Belo Horizonte, Juiz de Fora, Uberaba e Uberlândia.
Negócio ou estratégia política?
Apesar da forte conexão com o cenário eleitoral, Cunha defende que a aquisição e operação das rádios são, em sua visão, um negócio comercial e não uma estratégia política direta. Ele descreve a formação de uma rede com rádios de terceiros que aderem ao projeto.
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“A única coisa que lhe diria é que S. Roque e Araxá é a mesma rádio pegando em dois lugares. Juiz de Fora também é uma complementar de uma rádio do Rio de Janeiro. Além Paraíba é uma rádio que estará no Rio de Janeiro, em Friburgo, muito em breve, assim como tem outras que ainda se integrarão a rede. Isso é negócio privado e não política”, declarou à imprensa.
A estratégia de Cunha, no entanto, levanta debates sobre a influência da mídia em campanhas eleitorais e a linha tênue entre investimento comercial e articulação política, especialmente considerando seu histórico e a proximidade das eleições.
Fonte: Estadão
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