Denúncias em BH: Biomédica vende

Denúncias em BH: Biomédica vende

A busca por um corpo magro e a pressão estética, intensificadas pelas redes sociais, parecem impulsionar um mercado clandestino de medicamentos em Belo Horizonte. Denúncias chegaram ao jornal O TEMPO sobre a venda irregular de substâncias para emagrecimento na capital mineira. Venda Aberta nas Redes Sociais Uma biomédica de Belo Horizonte tem divulgado abertamente em […]

Resumo

A busca por um corpo magro e a pressão estética, intensificadas pelas redes sociais, parecem impulsionar um mercado clandestino de medicamentos em Belo Horizonte. Denúncias chegaram ao jornal O TEMPO sobre a venda irregular de substâncias para emagrecimento na capital mineira.

Venda Aberta nas Redes Sociais

Uma biomédica de Belo Horizonte tem divulgado abertamente em suas redes sociais a comercialização de tirzepatida. Este princípio ativo, indicado para o tratamento de diabetes tipo 2, também é utilizado para controle de peso. Contudo, sua venda é estritamente restrita a prescrições médicas.

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A profissional anuncia em seus stories os horários de entrega dos medicamentos, que chegam a Belo Horizonte via delivery. Em contato com a reportagem, que se passou por cliente, a vendedora apresentou uma tabela de preços. As seringas com doses que variam de 2,5 mg a 15 mg custam entre R$ 200 e R$ 500. A aplicação, segundo ela, é responsabilidade do comprador.

O medicamento, conforme informado, teria origem no Paraguai, país que se tornou um ponto central para o contrabando de fármacos no Brasil.

A Rota do Paraguai e Operações Policiais

A Polícia Civil de Minas Gerais (PCMG) confirma que a maioria dos insumos contrabandeados tem origem paraguaia. Pessoas atravessam a fronteira para adquirir medicamentos mais baratos e sem a necessidade de receita médica, revendendo-os posteriormente no mercado ilegal brasileiro.

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Casos recentes evidenciam a dimensão do problema. Em 19 de fevereiro, a Polícia Federal deflagrou a Operação Good Shape em Divinópolis, com apoio da Polícia Civil de Alpinópolis. Duas mulheres foram presas, suspeitas de integrar uma rede de importação e distribuição ilegal de emagrecedores. Uma delas foi localizada no Paraguai e aguarda extradição.

A Justiça Federal determinou o bloqueio de bens de até R$ 500 mil e a suspensão das redes sociais usadas na comercialização. As investigações apontam que os medicamentos eram de marcas proibidas pela Anvisa no Brasil, por não possuírem registro e controle de qualidade, segurança e eficácia.

Apreensões em Academias e Rodovias

Na última terça-feira (24), uma operação conjunta da Polícia Militar e Vigilância Sanitária em Patos de Minas encontrou medicamentos para emagrecimento e anabolizantes escondidos em uma academia. Cerca de 30 frascos injetáveis de tirzepatida, importados do Paraguai, e mais de 200 comprimidos de esteroides sintéticos foram apreendidos.

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No início deste mês, policiais rodoviários federais apreenderam 200 ampolas de tirzepatida e 32 ampolas de esteroides anabolizantes em transporte ilegal. O condutor, preso em flagrante, alegou uso próprio, mas a suspeita é de revenda online. O material teria sido buscado em Foz do Iguaçu (PR) e seria distribuído pela internet. Crimes contra a saúde pública no Brasil podem levar a penas de até 15 anos de reclusão.

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Riscos à Saúde: Do Vômito Incontrolável à UTI

Especialistas alertam que o consumo de medicamentos contrabandeados eleva drasticamente os riscos à saúde. A falta de controle de temperatura, crucial para substâncias como a tirzepatida, e a incerteza sobre a composição são pontos críticos.

“Medicamentos clandestinos frequentemente contêm doses muito maiores ou menores do princípio ativo, ou substâncias proibidas (como anfetaminas) para forçar a perda de peso, podendo levar a arritmias e surtos psicóticos”, explica o gastroenterologista Dr. Mauro Lúcio Jácome.

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O médico também ressalta a importância do escalonamento da dose, iniciado geralmente em 2,5 mg, para a adaptação do organismo. “Pular etapas pode levar ao que chamamos de vômito intratável, com risco de internação”, alerta.

A endocrinologista Bruna Marisa acrescenta que a adulteração é uma possibilidade real, especialmente por se tratar de um medicamento de alto custo. Aditivos como anestésicos podem ser usados para baratear o produto, aumentando o risco de complicações cardíacas. Há também o perigo de contaminação microbiológica, com bactérias como Escherichia coli e Salmonella.

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“O acompanhamento médico é essencial para saber a dose correta, a progressão, os efeitos colaterais e como agir em caso de reações adversas”, pontua Marisa.

Doenças Mascaradas e Sobrecarga do Sistema de Saúde

O uso sem supervisão médica pode mascarar doenças graves, como câncer gástrico ou pancreatite. Os efeitos colaterais podem ser intensos, incluindo náuseas, vômitos persistentes, desidratação e insuficiência renal aguda. Casos de internação em UTI já foram registrados devido a complicações.

A cultura do corpo magro e a busca por resultados rápidos, muitas vezes propagada por influenciadores digitais, alimentam esse mercado ilegal. Isso não apenas prejudica a saúde individual, mas também fortalece redes criminosas e sobrecarrega os sistemas de fiscalização sanitária e policial.

No Brasil, apenas medicamentos registrados na Anvisa podem ser comercializados. A tirzepatida exige prescrição e acompanhamento médico para avaliar condições cardiológicas, renais e pancreáticas, além de garantir o escalonamento adequado da dose.

Enquanto a busca pelo emagrecimento rápido impulsiona o mercado paralelo, autoridades e profissionais de saúde reforçam o alerta: o preço da saúde pode ser muito mais alto do que o anunciado nas redes sociais.

Fonte: O Tempo

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