Dados de Daniel Vorcaro na CPMI do INSS sofrem com "senhas" e frustram parlamentares

Dados de Daniel Vorcaro na CPMI do INSS sofrem com “senhas” e frustram parlamentares

A Comissão Parlamentar de Inquérito (CPMI) do INSS enfrenta críticas e frustração por parte de seus membros e assessores devido a dificuldades no acesso a uma nova remessa de dados telemáticos do empresário Daniel Vorcaro, proprietário do Banco Master. Cerca de 400 GB de informações foram disponibilizados nesta sexta-feira (13/3), após a quebra do sigilo […]

Resumo

A Comissão Parlamentar de Inquérito (CPMI) do INSS enfrenta críticas e frustração por parte de seus membros e assessores devido a dificuldades no acesso a uma nova remessa de dados telemáticos do empresário Daniel Vorcaro, proprietário do Banco Master.

Cerca de 400 GB de informações foram disponibilizados nesta sexta-feira (13/3), após a quebra do sigilo telemático de Vorcaro. O material foi armazenado em uma sala-cofre, com acesso controlado, para tentar evitar vazamentos.

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Deputados, senadores e técnicos indicados pelos gabinetes tiveram acesso à sala até as 21h. No entanto, muitos relataram decepção com o conteúdo, que consideraram repetitivo e, em grande parte, inacessível.

Frustração e lentidão no acesso

Um assessor que passou seis horas na sala descreveu a experiência como uma “perda de tempo”, pois avaliou que o material não apresentou novidades relevantes para o andamento da investigação.

Um técnico da oposição no Senado, após duas horas de consulta, expressou a “impressão de que ainda falta muito arquivo”. Ele também apontou que parte do conteúdo já havia sido divulgado em etapas anteriores da CPMI e que muitos dados estavam bloqueados por senha.

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O deputado Evair Vieira de Melo (PP-ES), um dos parlamentares que visitaram a sala-cofre, compartilhou o sentimento de “frustração”.

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“Os arquivos não vieram completamente abertos. As conversas de WhatsApp estão todas bloqueadas, e os e-mails estão criptografados”, detalhou o parlamentar.

O senador Izalci Lucas (PL-DF) criticou as ferramentas de consulta disponibilizadas pelo Senado, afirmando que “não dá para pesquisar nada da forma como foi disponibilizada”.

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Izalci também relatou ter encontrado dificuldades com arquivos criptografados e sinalizou que solicitará ao presidente da CPMI, senador Carlos Viana (Podemos-MG), recursos que facilitem o acesso aos dados.

Expectativa de novos dados e achados iniciais

A senadora Damares Alves (Republicanos-DF) aguarda a chegada de novos dados ao Senado, informando que parte significativa do material ainda estava em processo de transferência.

“Tem muito documento baixando ainda. Tem pastas que estão lá, mas você abre e está vazia. Acho que hoje à noite começa a baixar”, declarou.

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Assessores foram informados de que todos os dados relacionados a Vorcaro devem estar acessíveis para pesquisa apenas na próxima segunda-feira (16/3).

A deputada Bia Kicis (PL-DF), última a deixar a sala na sexta-feira, relatou não ter conseguido consultar todo o material por falta de ferramentas adequadas, o que tornou o processo de busca demorado.

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“Eu esperava poder pesquisar alguma coisa, mas não há como fazer esse tipo de busca. Consegui acessar apenas conteúdos que já haviam sido vazados”, disse a parlamentar.

A Sala-Cofre da CPMI

A sala-cofre da CPMI, localizada no subsolo do plenário 19 do Senado, acomoda até sete pessoas simultaneamente, com o mesmo número de computadores disponíveis. O acesso é restrito a deputados e senadores membros da comissão, cada um podendo indicar um assessor legislativo.

O local conta com monitoramento contínuo por câmeras. Dispositivos eletrônicos são proibidos na entrada, onde há um detector de metais. A sala funciona de sexta a sábado, mas a direção da CPMI autorizou a entrada no domingo.

Primeiros achados relevantes

Apesar dos obstáculos, parlamentares e técnicos já identificaram alguns elementos importantes nos dados sigilosos.

Entre os achados estão fotos de Vorcaro em festas com autoridades e uma extensa lista de contatos, que inclui nomes de ministros do Supremo Tribunal Federal (STF), como Alexandre de Moraes.

A agenda também menciona o governador do Distrito Federal, Ibaneis Rocha (MDB), seu filho, o advogado Caio Carvalho Barros, e o lobista Leonardo Valverde, a quem um parlamentar se refere como “Leo Ibaneis”.

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Evair Vieira de Melo relatou ter encontrado trocas de documentos e mensagens, datadas de outubro de 2025, entre Vorcaro e membros do Departamento de Organização do Sistema Financeiro do Banco Central, referentes ao Banco Master.

As menções citam o gerente-técnico Alexandre Martins Bastos e o coordenador Fernando Cesar Maia Mondaini.

Negociações com o BRB e a venda frustrada do Banco Master

Os novos materiais também revelam trocas de mensagens entre Daniel Vorcaro e o ex-presidente do Banco de Brasília (BRB), Paulo Henrique Costa, sobre a tentativa de venda do Banco Master ao BRB em 2025.

A operação foi barrada pelo Banco Central em setembro do mesmo ano. Poucos meses depois, a autarquia decretou a liquidação do Banco Master, e no mesmo dia, Vorcaro foi preso pela Polícia Federal.

Deputados identificaram uma apresentação elaborada por Vorcaro sobre a venda do Master ao BRB, datada de 20 de janeiro de 2025, que teria sido exibida a gestores da instituição.

Parlamentares também localizaram uma carta supostamente enviada por Vorcaro a Paulo Henrique Costa, descrita como um “desabafo” ao ex-presidente do banco.

Fonte: Metrópoles

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