O ritmo de crescimento da população dos Estados Unidos atingiu um “freio histórico”, registrando uma taxa de apenas 0,5% entre julho de 2024 e junho de 2025. Essa desaceleração, a mais acentuada desde o início do século XX, com exceção de um breve declínio em 1917-1918 devido à gripe espanhola e à Primeira Guerra Mundial, levanta preocupações sobre o futuro econômico e social do país.
Fatores por trás da desaceleração histórica
O Departamento do Censo dos EUA atribui a principal causa dessa desaceleração à acentuada queda na migração internacional líquida. Christine Hartley, diretora adjunta da Divisão de Estimativas e Projeções do Censo, destacou que, com as taxas de natalidade e mortalidade relativamente estáveis, a redução no fluxo de imigrantes é o fator determinante.
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A migração internacional líquida, que considera a diferença entre imigrantes que entram e emigrantes que saem do país, despencou de 2,7 milhões no período de 2023-2024 para 1,3 milhão em 2024-2025. Especialistas como William Frey, pesquisador sênior da Brookings Institution, apontam que, mesmo o número de 1,3 milhão ainda representa um fluxo elevado comparado a padrões históricos, a queda em si é significativa.
Políticas de imigração e seu impacto
Analistas apontam para um endurecimento das políticas de imigração como um dos fatores que podem estar afetando a chegada de estrangeiros aos EUA. Medidas como o aumento dos requisitos para vistos de estudante e trabalho, a restrição ao processo de solicitação de asilo e a revogação de proteções temporárias, como o Status de Proteção Temporária (TPS) e a liberdade condicional humanitária, podem ter contribuído para a redução nas tentativas de entrada no país.
Dados da agência de Alfândega e Proteção de Fronteiras dos EUA corroboram essa tendência. O número de “encontros” em fronteiras, termo usado para descrever o contato de agentes com estrangeiros que tentam entrar no país sem atender aos critérios exigidos, apresentou quedas significativas em 2025 em comparação com anos anteriores. Entre outubro e novembro de 2025, por exemplo, foram registrados 60.940 encontros, uma redução de 28% em relação ao mínimo anterior de 84.293 no ano fiscal de 2012.
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Consequências econômicas e demográficas
A desaceleração no crescimento populacional e a potencial migração líquida negativa – onde mais pessoas deixam o país do que entram – podem ter implicações significativas para a economia dos EUA. Especialistas preveem uma desaceleração no emprego e no crescimento econômico, uma vez que a imigração tem sido um motor importante para o mercado de trabalho, fornecendo mão de obra e impulsionando a demanda.
A análise da Brookings Institution sugere que o crescimento do emprego entre 2022 e 2024, acompanhado por um forte aumento na imigração, pode se tornar negativo em 2026 se a tendência de queda na entrada de estrangeiros persistir. William Frey alerta para um futuro com uma população americana menor e mais envelhecida, um cenário que alguns países europeus já enfrentam e que os EUA, historicamente, têm evitado em grande parte graças à imigração.
Um futuro como nação de imigrantes?
A imigração desempenha um papel crucial na manutenção de uma população jovem nos EUA. Cerca de 28% dos menores de 18 anos são imigrantes ou filhos de imigrantes nascidos no país. Uma redução na imigração pode levar a uma diminuição contínua dessa faixa etária e, consequentemente, da força de trabalho ativa.
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Especialistas como Frey ressaltam a importância de manter o caráter de nação de imigrantes para o sucesso econômico e a influência global dos EUA. Em um cenário de economia global cada vez mais jovem e conectada, a capacidade de atrair talentos e jovens de outros países é vista como fundamental para a prosperidade e a relevância internacional.
Fonte: Departamento do Censo dos EUA, Brookings Institution