A Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) do Crime Organizado no Senado Federal deu um passo significativo em suas investigações ao aprovar, em votações apertadas, a convocação de figuras proeminentes do cenário econômico e político brasileiro.
Depoimentos Chave na CPI
Foram chamados para prestar depoimento o ex-presidente do Banco Central (BC), Roberto Campos Neto, e o ex-ministro da Economia durante o governo Jair Bolsonaro, Paulo Guedes. As decisões, que ocorreram por 6 votos a 5, foram impulsionadas por um pedido da oposição, que buscava esclarecimentos sobre a atuação do Banco Master.
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O senador Jaques Wagner (PT-BA) foi o autor do requerimento para ouvir Campos Neto. Ele argumenta que resoluções editadas durante a gestão do ex-presidente do BC, como a que flexibiliza a criação de fintechs de crédito (Resolução 4.646/2018), teriam promovido uma desregulação do sistema financeiro, criando um ambiente propício para atividades ilícitas.
Já a convocação de Paulo Guedes, solicitada pelo senador Randolfe Rodrigues (PT-AP), visa aprofundar a investigação sobre como as políticas de desregulamentação e a suposta falta de supervisão durante sua gestão teriam favorecido a expansão de esquemas de lavagem de dinheiro.
Ampliação das Investigações sobre o Banco Master
Além de Campos Neto e Guedes, a CPI aprovou a convocação de Daniel Vorcaro, empresário e proprietário do Banco Master. O pedido foi feito pelo relator da CPI, Alessandro Vieira (MDB-SE), em conjunto com os senadores Eduardo Girão (Novo-CE) e Marcos do Val (Podemos-ES).
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Também foram convocados executivos e sócios ligados ao Banco Master, incluindo o ex-CEO e sócio Augusto Ferreira Lima, Ângelo Ribeiro da Silva, o superintendente executivo da Tesouraria, Alberto Félix de Oliveira Neto, e o ex-diretor de Riscos e Compliance, Luiz Antônio Bull. As datas para os depoimentos ainda serão definidas.
Quebra de Sigilo e Conexão com o STF
Em um desdobramento importante, a CPI aprovou a quebra dos sigilos bancário, telefônico e telemático da Maridt Participações. Esta empresa é apontada como um possível veículo utilizado pelo ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Dias Toffoli, para receber pagamentos relacionados ao Banco Master.
O senador Alessandro Vieira, autor do requerimento, solicitou o acesso a todas as contas de depósito, poupança, investimento e outros bens e valores mantidos pela Maridt em instituições financeiras. O Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf) será o responsável por fornecer os Relatórios de Inteligência Financeira (RIFs) e os dados decorrentes da quebra de sigilo.
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Vieira justificou a medida como essencial para uma análise detalhada das atividades da empresa, sugerindo que a Maridt pode ter funcionado como uma estrutura de fachada para ocultar beneficiários de transações financeiras de grande vulto.
Fonte: g1.globo.com