Apesar de declarações públicas de apoio de parlamentares governistas, a avaliação entre os principais líderes do Congresso Nacional é de que a criação de uma Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) para investigar o Banco Master enfrenta resistências políticas significativas e tem poucas chances de avançar.
Nos bastidores, senadores argumentam que CPIs representam um alto custo político em um ano eleitoral. Geralmente, essas comissões prosperam quando há um “inimigo único” claramente delimitado fora do sistema político, o que não se aplica ao caso do Banco Master, segundo a visão desses parlamentares.
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CAE como palco principal de investigações
Diante desse cenário, a tendência dominante é que o Congresso concentre seus esforços investigativos na Comissão de Assuntos Econômicos (CAE). Presidida pelo senador Renan Calheiros (MDB-AL), a CAE é vista como um espaço mais adequado para realizar apurações e obter respostas concretas, com menor risco de desgaste coletivo para deputados e senadores.
A avaliação é que a comissão permanente permite um controle maior do processo, evitando que o Parlamento se exponha a efeitos colaterais imprevisíveis, típicos de CPIs.
O senador Eduardo Braga (MDB-AM) defende a atuação da CAE como o caminho mais eficaz. “Na Comissão de Assuntos Econômicos, nós vamos botar para quebrar. Explodir essa caixa-preta. Usar efetivamente todo o poder que o regimento do Senado nos dá para enfrentar esse esquema”, afirmou.
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Renan Calheiros critica CVM e anuncia diligências
Renan Calheiros anunciou a criação de um grupo de trabalho específico para acompanhar o caso e passou a criticar diretamente a atuação dos órgãos reguladores do mercado financeiro, em especial a Comissão de Valores Mobiliários (CVM).
Para o senador, houve falha na fiscalização de fundos de investimento, o que permitiu a formação de ativos superavaliados e gerou prejuízos em larga escala para investidores.
“É preciso dizer com todas as letras que a CVM é a responsável legal pela fiscalização desses fundos. O que precisa ser explicado é como foi possível permitir que ativos fossem precificados de forma irreal, criando uma bolha de ilusão para os investidores, sem que o regulador emitisse um único sinal de alerta”, declarou Renan.
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Ele também informou que a CAE realizará visitas institucionais ao Supremo Tribunal Federal (STF), ao Banco Central, à Polícia Federal e ao Tribunal de Contas da União.
Autoproteção e riscos políticos
Nos bastidores, senadores indicam que essa atuação institucional também serve como uma forma de autoproteção do parlamento. A leitura é que o caso do Banco Master envolve relações políticas, econômicas e institucionais amplas.
Isso dificulta a construção de uma narrativa de responsabilização concentrada e aumenta o risco de desgaste difuso para o próprio Congresso, caso uma CPI seja instalada.
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Apesar disso, o discurso público de apoio à investigação permanece. O senador Randolfe Rodrigues (PT-AP) classificou o episódio como o maior crime contra o sistema financeiro nacional em décadas e defendeu o uso de todos os instrumentos disponíveis.
“O caso do Banco Master se trata do maior crime já cometido contra o sistema financeiro nacional nos últimos 40 anos. É nosso dever apoiar e desvendar tudo o que esteja escondido. Atinga quem tiver que atingir. Esteja onde estiver”, declarou.
CPMI e investigações judiciais em paralelo
Paralelamente à ofensiva da CAE, a oposição reuniu assinaturas suficientes para a criação de uma Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI), que reúne deputados e senadores. O pedido foi apresentado pelo deputado Carlos Jordy (PL-RJ).
Há também um pedido de CPI no Senado. No entanto, ambas as iniciativas dependem de decisões políticas do comando das Casas.
No caso da CPMI, a instalação exige a leitura do requerimento em sessão do Congresso Nacional, ato que cabe ao presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), que não é obrigado a fazê-lo de forma imediata.
O Banco Master foi liquidado extrajudicialmente pelo Banco Central em novembro de 2025, após a identificação de irregularidades em operações financeiras e uma grave crise de liquidez.
O caso também ganhou novos contornos no Judiciário. As investigações criminais estão sob relatoria do ministro Dias Toffoli, no STF. A condução do caso por Toffoli tem sido alvo de críticas internas na Corte e de atritos com a Polícia Federal e o Banco Central.
Entre os episódios que geraram incômodo estão a redução do prazo para a PF colher depoimentos e decisões sobre o controle e a análise de provas apreendidas.
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Nesse contexto, líderes do Congresso avaliam que avançar com uma CPI ampla, em paralelo a um ambiente de tensão com o Judiciário, poderia agravar o conflito institucional e ampliar o risco de desgaste político coletivo.
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