O ministro das Relações Exteriores do Brasil, Mauro Vieira, e o secretário de Estado dos Estados Unidos, Marco Rubio, mantiveram um diálogo telefônico no último domingo, 8 de março de 2026. O encontro virtual teve como pauta principal a iminente visita do presidente Luiz Inácio Lula da Silva a Washington, ainda sem data confirmada.
A reunião bilateral, que estava inicialmente prevista para este mês, pode sofrer um adiamento. A mudança de planos estaria atrelada à prioridade que os Estados Unidos passaram a dedicar à região do Oriente Médio, em virtude da recente ofensiva militar contra o Irã.
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Além da agenda de Lula nos Estados Unidos, o chanceler brasileiro também levantou a questão da iniciativa americana de classificar facções criminosas brasileiras, como o Primeiro Comando da Capital (PCC) e o Comando Vermelho (CV), como Organizações Terroristas Estrangeiras (FTOs, na sigla em inglês).
Segundo informações da GloboNews, Marco Rubio tem sido um dos principais entusiastas da ideia de classificar as duas facções como terroristas, e o processo estaria avançado. A proposta deve ser submetida ao Congresso dos EUA para ratificação nos próximos dias.
O governo brasileiro se manifesta contrário a essa designação por parte dos Estados Unidos e tem envidado esforços para evitar que ela ocorra. Existe a preocupação de que tal medida possa facilitar intervenções unilaterais americanas, inclusive com o uso da força militar, contra organizações classificadas dessa forma.
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Esse temor foi intensificado após a recente invasão da Venezuela e a captura de Nicolás Maduro pelos Estados Unidos. A classificação como FTO poderia ser interpretada como uma violação da soberania brasileira, um tema que ganhou ainda mais relevância após as tarifas impostas por Donald Trump.
Há também divergências conceituais por parte do governo federal. A motivação de organizações narcotraficantes brasileiras estaria ligada ao lucro, e não a uma ideologia, que é uma característica usualmente associada a grupos terroristas. Essa distinção é um ponto central na argumentação brasileira.
De acordo com o Departamento de Estado dos EUA, a designação de uma organização estrangeira como terrorista acarreta o congelamento de seus ativos financeiros e restrições de imigração para seus integrantes. Adicionalmente, o fornecimento voluntário de apoio material ou recursos a um grupo classificado como FTO torna-se uma atividade criminalizada.
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Caso sejam estrangeiros, os membros de uma FTO são impedidos de ingressar nos Estados Unidos e podem ser deportados. A lei americana, especificamente a Lei de Imigração e Nacionalidade, estabelece que o secretário de Estado é o responsável por designar uma organização como FTO.
Para que uma organização seja classificada como FTO, é necessário que ela cumpra determinados requisitos. Entre eles, a organização deve ser estrangeira e estar envolvida em atividades terroristas, ou possuir a capacidade e a intenção de se envolver nesse tipo de atividade. A atuação do grupo precisa representar uma ameaça à segurança de cidadãos norte-americanos ou à segurança nacional dos Estados Unidos.
Fonte: G1
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