Caminhada de Nikolas Ferreira: Selfies, Políticos e Falta de Estrutura marcam protesto pela "liberdade"

Caminhada de Nikolas Ferreira: Selfies, Políticos e Falta de Estrutura marcam protesto pela “liberdade”

A caminhada “Acorda Brasil”, organizada pelo deputado federal Nikolas Ferreira (PL-MG), transformou-se em um palco de selfies e articulações políticas ao longo de seu percurso de 240 km entre Minas Gerais e Brasília. O protesto, iniciado em Paracatu (MG) e com destino à capital federal, visa manifestar oposição à condenação de indivíduos acusados de envolvimento […]

Resumo

A caminhada “Acorda Brasil”, organizada pelo deputado federal Nikolas Ferreira (PL-MG), transformou-se em um palco de selfies e articulações políticas ao longo de seu percurso de 240 km entre Minas Gerais e Brasília. O protesto, iniciado em Paracatu (MG) e com destino à capital federal, visa manifestar oposição à condenação de indivíduos acusados de envolvimento em uma tentativa de golpe de Estado.

A marcha, que se estende de segunda-feira (19) a domingo (25), reuniu, segundo relatos de participantes, cerca de 400 apoiadores. No entanto, a estrutura oferecida aos manifestantes tem sido alvo de questionamentos, com relatos de falta de planejamento logístico e dificuldades na garantia de itens básicos como alimentação e água.

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A reportagem acompanhou parte do trajeto nesta sexta-feira (23), observando que o clima festivo inicial dava lugar ao cansaço à medida que os quilômetros se acumulavam. Por volta do meio-dia, muitos participantes já demonstravam preocupação com o almoço, e a própria assessoria do deputado admitia desconhecer os planos para a refeição.

A chegada a um ponto de parada para alimentação ocorreu somente por volta das 15h. Enquanto alguns apoiadores e políticos aliados alternavam entre caminhar e utilizar veículos, aqueles sem essa opção se acomodavam no acostamento da rodovia BR-040, dependendo de doações de comida e água distribuídas por outros apoiadores.

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Houve preocupação com a segurança dos participantes, especialmente idosos e crianças, que caminhavam próximos à pista. A separação entre os manifestantes e o tráfego da rodovia era feita por uma corda manuseada por seguranças e apoiadores, além de gritos de policiais rodoviários que tentavam conter a multidão. Empurrões foram registrados por quem se aproximava da beira da estrada.

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A Polícia Rodoviária Federal (PRF) emitiu um comunicado alertando para os “riscos de segurança” apresentados pela caminhada. Em contrapartida, o deputado Lindbergh Farias (PT-RJ), líder do PT na Câmara, classificou o evento como um ato “criminosa” que coloca vidas em risco.

Nikolas Ferreira justificou a escolha pela modalidade de caminhada como uma forma de evitar a criação de acampamentos, que, segundo ele, poderiam ser alvo de desestabilização. A declaração remete aos acampamentos bolsonaristas que se formaram em frente ao Quartel-General do Exército em 2022, pedindo intervenção militar, e que foram um dos focos de investigação após os atos de 8 de janeiro.

O deputado admitiu que, apesar de convidar apoiadores, o planejamento logístico da marcha não foi detalhado previamente, nem mesmo para o partido PL. “A logística foi feita na hora. A gente saiu de Paracatu e a gente foi colocando no Google Maps para poder ver quantos quilômetros daria até chegar em Brasília”, declarou.

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A estrutura oficial disponível concentrou-se no atendimento ao próprio deputado. Nikolas Ferreira seguiu o trajeto acompanhado por policiais legislativos e um carro que o mantinha a uma distância segura dos demais. Veículos de outras forças de segurança também acompanharam o grupo, mas com menor constância.

Durante o percurso, o deputado foi visto recebendo auxílio de sua assessoria, com acesso a bebidas isotônicas e cremes para alívio muscular. Em paradas estratégicas, vídeos divulgados nas redes sociais mostram Ferreira retirando os sapatos, aplicando gelo nos pés e utilizando pomadas para dores.

Apoiadores ouvidos pela reportagem expressaram slogans de “liberdade”, críticas ao “sistema”, ao PT e à imprensa. “Quero um país livre, um país honesto”, disse Valisnêria Cristina, de São José do Rio Preto (SP), que viajou com o marido e amigos para participar do evento.

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Outra manifestante, que preferiu não se identificar, alegou que o “povo está sendo impedido de expressar a sua liberdade” e caminhava com seu filho. Ela indicou que não participaria de toda a marcha.

Ao longo da caminhada, a atmosfera foi marcada por filmagens e selfies. Alguns participantes levaram objetos simbólicos, como pelúcias do ex-presidente Bolsonaro e um batom, em referência a Débora do Batom, uma das condenadas pelos atos de 8 de janeiro.

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Políticos presentes foram assediados por manifestantes em busca de fotos. Nikolas Ferreira era o mais requisitado, mantido em um círculo de segurança. Assim que um apoiador conseguia uma interação, o deputado era rapidamente afastado pelos assessores.

O deputado federal Carlos Jordy (PL-RJ) afirmou que o movimento cresceu progressivamente, partindo de cerca de 20 a 30 pessoas para centenas. Ele descreveu o protesto como um ato de “resiliência”.

O deputado André Fernandes (PL-CE) criticou ministros do Supremo Tribunal Federal (STF), questionando a atuação de juízes que, segundo ele, condenam inocentes e defendem criminosos. O senador Marcos do Val (Podemos-ES) declarou que a caminhada não tem o objetivo de confronto, mas sim de “mostrar que o brasileiro está indignado”. Ele vestia uma camiseta com a imagem do ministro Alexandre de Moraes atrás das grades.

Apesar da declaração de Nikolas Ferreira de não querer que seu protesto fosse instrumentalizado por políticos, a marcha contou com a presença de vereadores, deputados, senadores e pré-candidatos. O vereador Igor Erick (Mobiliza), de Governador Valadares (MG), declarou que participa pela “esperança de um Brasil melhor” para a juventude.

Faixas com críticas ao presidente Lula e ao ministro Alexandre de Moraes foram vistas, assim como pedidos pelo retorno do voto impresso.

Fonte: Folha

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