O Banco de Brasília (BRB) anunciou a contratação do renomado escritório de advocacia Machado, Meyer, Sendacz, Opice e Romano Advogados (Machado Meyer Advogados) para liderar uma investigação independente. O objetivo é apurar as circunstâncias de supostas irregularidades em negócios realizados com o Banco Master, em um contexto que envolve a Operação Compliance Zero. A consultoria Kroll Associates Brasil também prestará suporte nas apurações.
Investigação Foca em Fraude de R$ 12 Bilhões em Carteiras de Crédito
As investigações centram-se em alegações de fraude estimada em R$ 12 bilhões, relacionadas à venda de carteiras de crédito do Banco Master para o BRB. A Operação Compliance Zero, conduzida pela Polícia Federal, tem como foco principal essas transações financeiras.
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Em comunicado oficial ao mercado, o BRB informou que o escritório de advocacia reportará diretamente a um comitê independente de investigação. Este comitê foi formalmente instaurado em 28 de novembro de 2025 e é composto por executivos que não possuíam vínculos com o banco no período sob análise, garantindo a autonomia do processo.
Governador Garante Transparência e Auditoria de Ponta
O governador do Distrito Federal, Ibaneis Rocha (MDB), manifestou publicamente seu compromisso com a transparência do processo. Ele destacou que a contratação de uma das “melhores auditorias do Brasil” reforça a seriedade com que o caso está sendo tratado pelo banco.
A decisão de realizar a auditoria independente surge em meio a desdobramentos judiciais. Anteriormente, a 10ª Vara Federal de Brasília determinou o afastamento do então presidente do BRB, Paulo Henrique Costa, e do diretor financeiro, Dario Oswaldo Garcia Júnior. Em resposta, Ibaneis Rocha nomeou Nelson Souza, ex-presidente da Caixa Econômica Federal, para a presidência do BRB, buscando reestruturar a gestão.
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Dono do Master e Executivos Foram Presos
O caso também levou à prisão do proprietário do Banco Master, Daniel Vorcaro, e de outros executivos ligados à instituição. Eles permaneceram detidos por 12 dias antes de serem liberados.
Adicionalmente, a Justiça Federal determinou que o Banco Central realize uma auditoria minuciosa nas operações do BRB. Uma decisão de 24 de novembro, baseada em informações do Ministério Público Federal (MPF), indicou que o BRB não enfrenta uma crise de liquidez, mas a necessidade de uma fiscalização aprofundada permanece.
Polícia Federal Aponta Falhas em Mecanismos de Aquisição de Carteiras
As investigações da Polícia Federal apontam que os mecanismos formais de aquisição de carteiras de crédito pelo BRB, que incluiriam filtros de elegibilidade, aprovação colegiada e registro na B3, não foram suficientes para identificar irregularidades graves. Entre os problemas detectados estão créditos inexistentes, sobreposição de CPFs e originação por empresas sem histórico comprovado, como a Tirreno, supostamente uma empresa de fachada.
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Um ponto de atenção é a aceitação pelo BRB da restituição de R$ 6,7 bilhões diretamente da Tirreno, empresa que teria atuado como intermediária. Apesar de a Tirreno ter acordado o pagamento em seis meses, o BRB não teria exigido a devolução imediata dos valores, que permanecem em conta vinculada.