O Brasil se manifestou firmemente contra a mobilização militar dos Estados Unidos no Caribe e o bloqueio naval imposto à Venezuela, declarando que tais ações configuram violações da Carta das Nações Unidas e exigindo seu fim imediato.
A posição brasileira foi apresentada pelo embaixador Sérgio Danese durante uma reunião do Conselho de Segurança da ONU, convocada a pedido de Caracas.
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“A força militar reunida e mantida pelos Estados Unidos nas proximidades da Venezuela e o bloqueio naval recentemente anunciado constituem violações da Carta das Nações Unidas. Portanto, devem cessar imediata e incondicionalmente em favor da utilização dos instrumentos políticos e jurídicos amplamente disponíveis”, declarou o diplomata.
Danese enfatizou o compromisso do Brasil com a defesa da Carta da ONU, o multilateralismo e a solução pacífica de controvérsias.
“Soluções baseadas na força são totalmente contrárias às melhores tradições e ao firme, universal e irreversível compromisso com a paz assumido pela América Latina e pelo Caribe. Somos, e desejamos permanecer, uma região de paz, respeitosa do direito internacional e das boas relações entre os países vizinhos”, acrescentou.
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Brasil se oferece como mediador
O embaixador brasileiro também convidou os Estados Unidos e a Venezuela a um diálogo genuíno, conduzido de boa-fé e sem coerção.
“Como o presidente Lula já declarou publicamente, seu governo estará preparado para colaborar, se necessário e com o consentimento mútuo dos Estados Unidos e da Venezuela. O Brasil também estará preparado para apoiar quaisquer esforços do secretário-geral nessa mesma direção”, completou.
Tensão crescente no Caribe
A reunião do Conselho de Segurança foi convocada emergencialmente em meio à escalada de tensões entre os Estados Unidos e a Venezuela.
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Em resposta, o embaixador americano Mike Waltz reafirmou que os EUA imporão sanções com o máximo rigor para privar o presidente Nicolás Maduro de recursos, alegando que sua capacidade de vender petróleo sustenta um poder ilegítimo e atividades ligadas ao narcotráfico.
Há quase quatro meses, os Estados Unidos mantêm uma presença militar significativa no Caribe, próxima à costa venezuelana, sob o pretexto de combater o narcotráfico. Caracas, no entanto, denuncia essa presença como uma tentativa velada de promover uma mudança de regime.
No dia 16, o presidente dos EUA, Donald Trump, ordenou um bloqueio total a petroleiros sancionados que entram e saem da Venezuela, intensificando a campanha de pressão contra o governo Maduro.
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Trump também ameaçou repetidamente com ataques terrestres contra traficantes de drogas no país caribenho.
Alerta da Rússia
Em outro desenvolvimento, a Rússia instou o governo dos EUA a não cometer um “erro fatal” em relação à Venezuela, alertando para consequências imprevisíveis para o Ocidente.
Fonte: G1