O relator da Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI) do INSS, deputado Alfredo Gaspar (União Brasil-AL), levantou a possibilidade de que o caso do Banco Master sirva como um reflexo de práticas financeiras que ainda não foram totalmente expostas no Brasil. Em entrevista nesta quarta-feira (4), Gaspar declarou que o banco e seu principal executivo, Daniel Vorcaro, podem ser apenas um exemplo do que o país ainda não está enxergando.
Gaspar enfatizou que sua investigação não tem preferência por nomes específicos, mas sim por identificar os principais bancos que, segundo ele, estariam enganando aposentados e pensionistas. “A minha preferência é pegar os 10 principais bancos que supostamente enganam aposentados e pensionistas. Esse Daniel Vorcaro é um deles”, afirmou.
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A atenção sobre o Banco Master aumentou devido à descoberta de supostos créditos podres, o que, na visão do parlamentar, atrai os holofotes para a instituição. O relator questionou se existem outros personagens no sistema financeiro que agiram de forma semelhante ou até mais grave, sugerindo que o Brasil pode não estar preparado para investigar a fundo o contexto geral devido à magnitude dos problemas.
O depoimento de Daniel Vorcaro, inicialmente agendado para esta quinta-feira (5), foi adiado para o dia 26 de fevereiro, após o Carnaval. A alteração ocorreu em virtude de um acordo que visa evitar uma possível concessão de habeas corpus pelo Supremo Tribunal Federal (STF) à defesa do empresário, desde que os advogados não interfiram nas convocações futuras.
O deputado reiterou que todos os bancos sob suspeita devem prestar esclarecimentos. “O que parece é que o sistema financeiro, através do Daniel Vorcaro, colocou meia república no bolso. Espero que os outros não tenham colocado a outra parte da república também”, declarou Gaspar, indicando a dimensão das suspeitas.
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Alfredo Gaspar também acusou o governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) de tentar blindar convocações na CPMI do INSS. Ele citou tentativas de convocar representantes de bancos como Santander, PicPay, Crefisa e C6 Bank, empresas que, segundo o relator, lideram as reclamações de empréstimos consignados.
O Banco Master está sob investigação da Polícia Federal (PF) por um esquema de fraudes bilionárias contra o sistema financeiro. O caso tramita no STF, sob relatoria do ministro Dias Toffoli, que decidirá se o processo continuará na Corte ou será remetido à primeira instância.
As investigações apontam que o esquema envolvia a venda de títulos de renda fixa de alto rendimento, como CDBs, utilizados para financiar fundos de investimento dos quais o banco era o único cotista. O Ministério Público Federal (MPF) alega que a operação se baseava na circulação de ativos sem lastro real, forjando artificialmente os resultados financeiros da instituição.
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Fonte: Poder360