Dirigentes políticos próximos à líder da oposição venezuelana, María Corina Machado, foram libertados neste domingo (16), um mês após o início de um processo de soltura de presos políticos no país, que se intensificou com a queda do regime de Nicolás Maduro.
Juan Pablo Guanipa, ex-vice-presidente do Parlamento, Freddy Superlano, ex-deputado e vencedor cancelado de eleição para governador, e Perkins Rocha, assessor jurídico de Machado, deixaram a prisão dias antes de o Parlamento venezuelano votar uma lei de anistia geral.
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A proposta de anistia foi apresentada pela presidente interina, Delcy Rodríguez, que assumiu o poder após a captura de Maduro em 3 de janeiro, em uma operação militar atribuída aos Estados Unidos.
María Corina Machado, que deixou a Venezuela em sigilo em dezembro para receber o Prêmio Nobel da Paz e cujo paradeiro é desconhecido desde então, comemorou as libertações nas redes sociais.
“Meu querido Juan Pablo, contando os minutos para poder te abraçar! Você é um herói, e a história SEMPRE o reconhecerá. Liberdade para TODOS os presos políticos!!”, postou Machado na rede social X.
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Pressão e Solturas a Conta-gotas
Em 8 de janeiro, o governo interino anunciou um plano para libertar um “número significativo” de presos políticos, sob pressão do governo de Donald Trump nos Estados Unidos.
No entanto, familiares e ONGs têm relatado que as libertações ocorrem de forma lenta e gradual.
O ex-embaixador e ex-candidato presidencial Edmundo González Urrutia, que reivindica a vitória nas eleições de 2024, exigiu a “liberdade plena e imediata de todas as pessoas presas por razões políticas”.
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“Estas solturas não equivalem à liberdade plena. Enquanto os casos seguirem abertos, e persistirem medidas restritivas, ameaças e vigilância, a perseguição continua. A justiça não se satisfaz com saídas parciais nem condicionadas”, declarou Urrutia, que vive exilado na Espanha.
A ONG Foro Penal, que atua na defesa de presos políticos, informou ter verificado 30 novas libertações neste domingo, elevando para cerca de 400 o número de soltos desde 8 de janeiro.
Trajetórias de Luta e Perseguição
Juan Pablo Guanipa, preso em maio de 2025, foi acusado de conspiração, terrorismo, lavagem de dinheiro e incitação à violência.
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Ele havia sido eleito governador do estado de Zulia em 2017, mas se recusou a tomar posse perante a Assembleia Nacional Constituinte, considerada ilegítima pela oposição.
Freddy Superlano ganhou notoriedade ao vencer a eleição para governador de Barinas em 2021, resultado posteriormente cancelado pelas autoridades eleitorais.
Ele foi detido após as eleições de 2024 e levado para a prisão política de Helicoide, que o governo interino planeja fechar.
Perkins Rocha, assessor jurídico de Machado e delegado da principal coalizão opositora, foi liberado com “medidas cautelares muito rígidas”, segundo sua esposa.
Rocha estava preso há um ano e meio, detido em agosto de 2024, em meio a uma onda de prisões após a reeleição questionada de Maduro.
Contexto de Instabilidade e Eleições Conturbadas
A oposição venezuelana denunciou fraude nas eleições presidenciais de 2024, alegando que o órgão eleitoral proclamou a vitória de Maduro sem divulgar resultados detalhados, devido a um suposto ataque cibernético.
Os protestos que se seguiram à reeleição deixaram 28 mortos e mais de 2.400 detidos, classificados pelas autoridades como “terroristas”.
A votação da lei de anistia no Parlamento representa um passo crucial no cenário político venezuelano, com potencial para impactar a situação de centenas de opositores ainda detidos e a busca por uma reconciliação nacional.
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Fonte: G1