Galípolo irrita Planalto ao não culpar Campos Neto em depoimento na CPI do Banco Master

Galípolo irrita Planalto ao não culpar Campos Neto em depoimento na CPI do Banco Master

Integrantes do governo manifestaram, nos bastidores, irritação com o presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo, após seu depoimento na CPI do Crime Organizado. A insatisfação surgiu porque Galípolo não apontou responsabilidade de seu antecessor, Roberto Campos Neto, no escândalo envolvendo o Banco Master. A participação de Galípolo na comissão foi amplamente discutida pelo presidente Luiz […]

Resumo

Integrantes do governo manifestaram, nos bastidores, irritação com o presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo, após seu depoimento na CPI do Crime Organizado. A insatisfação surgiu porque Galípolo não apontou responsabilidade de seu antecessor, Roberto Campos Neto, no escândalo envolvendo o Banco Master.

A participação de Galípolo na comissão foi amplamente discutida pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva com seus auxiliares. A avaliação prévia no Planalto era de que a ida do atual presidente do BC à CPI seria proveitosa caso ele confirmasse a tese governista de que Campos Neto falhou em sua gestão.

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O Planalto e o PT têm defendido a narrativa de que o escândalo do Banco Master é uma consequência direta da inação do chefe da autoridade monetária, que foi indicado para o cargo pelo ex-presidente Jair Bolsonaro.

Contudo, ao ser questionado sobre a responsabilidade de Campos Neto, Galípolo declarou: “Não há nenhum processo de auditoria ou sindicância, nada que encontre qualquer culpa por parte do ex-presidente Roberto Campos Neto.”

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Em outro momento do depoimento, o presidente da CPI, o senador petista Fabiano Contarato (ES), insistiu, perguntando se Galípolo tinha conhecimento de que Campos Neto teria agido para impedir a liquidação ou intervenção no Banco Master ao longo de 2024. A resposta foi negativa: “A sindicância que foi feita não encontrou nada nesse sentido.”

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A declaração de Galípolo contrasta com as falas do próprio presidente Lula. Na mesma quarta-feira, em entrevista ao ICL Notícias, Lula voltou a culpar o antecessor de Galípolo pelo caso: “Sabe, qual a serpente que colocou o ovo? O senhor Roberto Campos.”

H3: Descontentamento com a política monetária

A postura de Galípolo, ao não endossar as acusações do governo contra Campos Neto, soma-se a um descontentamento já existente no Planalto em relação à política monetária. A demora na redução da taxa básica de juros (Selic) tem sido um ponto de atrito.

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Embora Lula evite críticas públicas diretas ao presidente do Banco Central que ele próprio indicou para o cargo no fim de 2024, tem manifestado internamente decepção com seu escolhido. Antes de anunciar a indicação de Galípolo, em junho de 2024, Lula chegou a se referir a ele como “menino de ouro”.

H3: Expectativa frustrada na Selic

Havia uma expectativa de que, após a posse de Galípolo como presidente do Banco Central em janeiro de 2025, a redução da Selic se iniciasse prontamente. No entanto, o ciclo de cortes só começou em março deste ano, quando o Comitê de Política Monetária (Copom) decidiu pela redução de 0,25 ponto percentual, levando a taxa para 14,75% ao ano.

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H3: O caso Banco Master na CPI

A Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) do Crime Organizado investiga as circunstâncias que levaram à crise e posterior liquidação do Banco Master. O foco tem sido apurar possíveis falhas de fiscalização e gestão que teriam permitido fraudes e lavagem de dinheiro.

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A defesa da tese de que a gestão anterior falhou em supervisionar adequadamente as instituições financeiras é uma estratégia política do governo para desviar o foco de problemas atuais e atribuir responsabilidades a administrações passadas.

H3: O papel do Banco Central

O Banco Central do Brasil (BCB) é a autarquia responsável pela política monetária, supervisão do sistema financeiro e emissão de moeda. Sua autonomia, garantida por lei, visa assegurar a estabilidade econômica e o controle da inflação, independentemente de pressões políticas de curto prazo.

A autonomia do BCB é um tema sensível, especialmente em governos que buscam maior intervenção na economia. As declarações de Galípolo, ao defender a ausência de provas contra seu antecessor, reforçam a importância da independência técnica do órgão.

Fonte: G1

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