A sensação de insegurança tem se intensificado no bairro Lourdes, na região Centro-Sul de Belo Horizonte. Moradores relatam um aumento expressivo nos casos de furtos e roubos, levando a um clima de medo e apreensão em um dos bairros mais nobres e tradicionais da capital mineira.
Aumento da Criminalidade em BH
Os relatos no Lourdes não são isolados. Dados da Secretaria de Estado de Justiça e Segurança Pública (Sejusp) indicam um cenário preocupante em toda a cidade. Entre janeiro e fevereiro de 2026, Belo Horizonte registrou um aumento de quase 14% em furtos e roubos, totalizando 11.300 ocorrências nesses dois meses. Isso representa uma média alarmante de 185 crimes por dia, ou quase oito casos a cada hora.
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A maioria dos registros, 10.615, foram de furtos. Os roubos, que envolvem violência ou grave ameaça, somaram 685 ocorrências no mesmo período.
Vozes do Bairro: Medo e Cobrança por Ação
Em uma manhã de quarta-feira, a reportagem do portal O Tempo ouviu moradores do bairro. Seis de sete entrevistados expressaram medo de transitar pela região nos últimos meses. A ausência de viaturas da Polícia Militar ou da Guarda Municipal durante a permanência da equipe de reportagem no local reforçou a percepção de abandono.
O médico Márcio Diniz, 79 anos, morador há quatro décadas, descreve o cotidiano de apreensão. “Eu só ando olhando para trás, para os lados, para ver se tem alguém me seguindo”, relata. Ele cita casos recentes de assaltos, incluindo o de uma senhora que fraturou o fêmur após ser jogada no chão durante um roubo de bolsa. Diniz critica a postura da Base Móvel da PM na Praça Marília de Dirceu, que funciona apenas das 14h às 23h. “Tinha que ter um policiamento rodando pelo bairro, ao invés de ficarem parados lá dentro da viatura”, defende.
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O professor Marco Antônio Costa, 65 anos, compartilha a mesma preocupação. Recentemente, seu prédio foi invadido e uma bicicleta levada. Ele lamenta a percepção de que crimes menores não são prioridade para as forças de segurança. “Ele invadiu um prédio, poderia ter ido na casa de alguém”, alerta. Costa teme pela segurança da esposa, que prefere ir de carro para o trabalho. “Se o Lourdes, que é tido como um dos quatro melhores bairros de BH, está assim, imagina os outros! A cidade está entregue”, conclui, temendo que a situação se agrave.
Posicionamentos Oficiais e Medidas em Andamento
A Polícia Militar (PMMG) informou que, entre janeiro e março de 2026, houve uma redução de 14% nos casos de roubos e furtos na região do Lourdes em comparação com o mesmo período de 2025. A corporação afirma atuar na região diuturnamente com policiamento preventivo e repressivo, incluindo rádio patrulhamento e operações especiais. A Base de Segurança Comunitária na Praça Marília de Dirceu funciona das 14h às 23h30min, com as demais modalidades de policiamento atuando nos horários restantes.
A Guarda Civil Municipal de BH também declarou que o bairro recebe rondas frequentes e que o patrulhamento será intensificado, com uso de imagens do sistema de videomonitoramento da cidade. A prefeitura disponibiliza canais como o telefone 153 para denúncias.
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O Secretário de Segurança de Minas, Rogério Greco, admitiu aumentos pontuais, mas defendeu que a criminalidade geral vem caindo ano a ano. Ele explicou que bairros com maior poder aquisitivo, como o Lourdes, tornam-se alvos mais atraentes para criminosos, e que a Sejusp utiliza a “mancha criminal” para direcionar o policiamento.
Tecnologia como Aliada na Segurança
Em paralelo às ações policiais, iniciativas privadas buscam reforçar a segurança. A Associação da Praça Marília de Dirceu e Adjacências (Amalou) firmou parceria com a empresa Gabriel, especializada em segurança pública. A entidade prevê a instalação de dois equipamentos “Camaleão” na praça. Esses totens possuem câmeras com visão panorâmica e sistema de leitura automática de placas veiculares, integrados às forças de segurança.
A empresa Gabriel já possui mais de 70 equipamentos instalados no bairro Lourdes, protegendo cerca de 1.300 moradores, e um total de 248 em toda a capital mineira. O sistema envia alertas automáticos para a Polícia Militar sempre que um veículo envolvido em crimes é identificado. Moradores que utilizam o sistema têm acesso a um aplicativo com imagens em tempo real, histórico e funcionalidades para acionar a central de emergência.
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A Gabriel afirma que seus equipamentos já contribuíram para a análise de mais de 10.000 ocorrências em todo o Brasil, resultando na detenção de centenas de suspeitos e na localização de pessoas desaparecidas.
Fonte: O Tempo