O cinema mudo brasileiro ganha um novo olhar em Belo Horizonte com a estreia do documentário ‘O Silêncio de Eva’, dirigido por Elza Cataldo. O filme chega ao Una Cine Belas Artes, no bairro Lourdes, na próxima terça-feira, 26 de março.
Uma atriz enigma no cinema mudo
Eva Nil, figura enigmática do cinema mudo brasileiro, tem sua trajetória resgatada em ‘O Silêncio de Eva’. O documentário propõe uma reflexão profunda sobre memória, apagamento histórico e a reconstrução da vida de artistas que, por vezes, caem no esquecimento.
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Protagonizado pelas atrizes Inês Peixoto e Bárbara Luz, o filme se destaca pela sua linguagem híbrida, mesclando pesquisa histórica com encenação dramática. A diretora Elza Cataldo, reconhecida por sua abordagem poética e estética, utiliza os silêncios e as lacunas deixadas pelo tempo como elementos narrativos.
Diálogo entre passado e presente
Inês Peixoto conduz a narrativa, embarcando em uma busca íntima e artística pelos caminhos de Eva Nil. Ao revisitar registros escassos e reconstruir episódios da vida da atriz, Peixoto estabelece um diálogo entre o passado e o presente, questionando o papel das mulheres na história do cinema.
Sua filha, Bárbara Luz, dá vida a Eva Nil nas sequências encenadas, criando uma ponte geracional dentro da própria obra. A produção incorpora materiais de arquivo, como fotografias e fragmentos de filmes perdidos, além de entrevistas com especialistas e registros contemporâneos.
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Linguagem poética e memórias perdidas
‘O Silêncio de Eva’ vai além da biografia tradicional. O filme utiliza a imaginação como ferramenta narrativa para preencher os vazios deixados pela história de Eva Nil, sugerindo novas interpretações sobre o passado. A obra se propõe a ser uma experiência sensorial e reflexiva sobre o que permanece e o que se perde na memória cultural.
O elenco de apoio inclui nomes como Eduardo Moreira, João Perdigão, Luís Parras, João Vitório e José Vilaça, que contribuem para dar corpo às diferentes fases da história retratada. O roteiro é assinado por Christiane Tassis, Inês Peixoto e Elza Cataldo.
A trajetória de Eva Nil
Eva Nil, nome artístico de Eva Comello, nasceu no Cairo em 1908 e veio para o Brasil ainda criança, fixando residência em Cataguases (MG). Tornou-se um dos principais nomes femininos do cinema mudo brasileiro, atuando em filmes como ‘Valadião, o Cratera’ (1925) e ‘Na Primavera da Vida’ (1926), ambos dirigidos por Humberto Mauro.
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No auge de sua carreira, no final dos anos 1920, Eva Nil abandonou o cinema abruptamente e dedicou-se à fotografia. Sua trajetória, marcada por talento, ruptura e mistério, serve como inspiração para o filme, evidenciando o apagamento de muitas mulheres na história da sétima arte.
Elza Cataldo e o cinema
Elza Cataldo é uma cineasta com vasta experiência, com formação em Cinematografia pela Universidade de Nanterre e doutorado pela Sorbonne, na França. Sua obra frequentemente articula memória, história e linguagem poética, com um interesse particular em trazer à tona histórias de mulheres fortes.
Entre seus trabalhos notáveis estão o longa-metragem ‘As Órfãs da Rainha’, premiado em festivais internacionais, e o documentário ‘Marianas’, disponível em streaming. Em ‘O Silêncio de Eva’, Cataldo reafirma seu compromisso com narrativas que exploram a força feminina e a complexidade da memória.
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Serviço
O Silêncio de Eva
Lançamento: 26 de março
Local: Una Cine Belas Artes – Rua Gonçalves Dias, 1581 – Lourdes, Belo Horizonte
Classificação: Livre
Fonte: O Tempo