Operação da PF expõe "falcatruas" com fundo de pensão e ligações políticas

Operação da PF expõe “falcatruas” com fundo de pensão e ligações políticas

A Polícia Federal deflagrou na última sexta-feira uma operação contra supostas irregularidades na gestão do regime previdenciário do Amapá (Amprev). A investigação apura o despejo de R$ 400 milhões no banco Master, uma instituição financeira que tem sido alvo de escrutínio por suas operações. Jocildo Silva Lemos, que dirigia a Amprev e foi nomeado em […]

Resumo

A Polícia Federal deflagrou na última sexta-feira uma operação contra supostas irregularidades na gestão do regime previdenciário do Amapá (Amprev). A investigação apura o despejo de R$ 400 milhões no banco Master, uma instituição financeira que tem sido alvo de escrutínio por suas operações.

Jocildo Silva Lemos, que dirigia a Amprev e foi nomeado em 2023, é uma figura central na investigação. Sua nomeação teria ocorrido sob ordem de Davi Alcolumbre, senador e ex-presidente do Congresso, de quem Lemos foi tesoureiro em 2022.

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Na véspera da operação, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva já havia expressado preocupação com o caso. Em entrevista, ele declarou a intenção de “ir a fundo nesse negócio” para entender os motivos pelos quais os governos do Rio de Janeiro e do Amapá teriam investido dinheiro de fundos de trabalhadores no Master.

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Lula também questionou a natureza das transações entre o Master e o BRB (Banco de Brasília), sugerindo a existência de “falcatruas”. O presidente, no entanto, desconhecia a operação policial que seria realizada no dia seguinte. A coincidência entre o discurso eleitoral que busca associar “falcatruas” à direita e a ação policial é notada.

A atuação do banco Master, segundo a reportagem, parece ter se estendido para além do Amapá, com transações suspeitas envolvendo o BRB, o Rioprevidência e o Credcesta na Bahia, estado governado pelo PT. Essas operações não encontrariam justificativa em termos de mercado, parecendo beneficiar unicamente o Master.

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A análise aponta que o socorro financeiro ao Master, especialmente em momentos de perda de liquidez, teria sido viabilizado por meio de expansões em operações de crédito consignado, como a garantida pelo Credcesta. A reportagem menciona que Lula teria sido informado sobre a situação e consultado nomes como Rui Costa, então ministro da Casa Civil, e Gabriel Galípolo, diretor do Banco Central, sobre o assunto.

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O Banco Central, inclusive, já havia emitido um ultimato ao Master no mês anterior à operação da PF, indicando que a instituição estava sob observação.

A influência do Master e de seus apoiadores políticos é destacada, com menções a Davi Alcolumbre, que controla o Congresso, e a articulações políticas que poderiam impactar o andamento de eventuais investigações, como uma CPI.

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O cenário político é complexo, com o presidente Lula buscando combater a “corrupção” enquanto se articula com figuras de diferentes espectros. Um exemplo é o encontro com Ciro Nogueira (PP-PI), do “Centrão”, que teria proposto um acordo ao presidente em troca de apoio político em seu estado e, possivelmente, para atenuar a investigação sobre o Master.

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A proximidade de Ciro Nogueira com o banqueiro André Vorcaro, figura central no escândalo do Master, é apontada como um fator de delicadeza na negociação. A reportagem sugere que o silêncio dos Bolsonaro sobre o escândalo pode ser explicado por essa proximidade.

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