Um ataque atribuído ao Comando Vermelho (CV) na região do Barreiro, em Belo Horizonte, resultou na prisão de Kaique Marlon da Silva Oliveira, de 25 anos, que alega ter sido baleado acidentalmente enquanto passava pelo local. A família do jovem, que possui autismo, apresentou documentos que atestam sua condição e seu comportamento descrito como ‘pueril e sem noção de perigo’, na tentativa de comprovar sua inocência.
Família relata abordagem policial após o disparo
O pai de Kaique, o gari Nirlando Moreira, de 42 anos, contou a O TEMPO que o filho chegou em casa ferido no braço, após ser atingido por um disparo. Levado por familiares a uma unidade de saúde, Kaique foi algemado à maca e, segundo o pai, chorava e chamava por ele.
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“O Kaique não estava sequer na festa onde ocorreu o confronto. Ele foi buscar um pedaço de carne com o meu irmão, que é dono de um sacolão, e, quando passava perto da quadra, acabou atingido por esse tiro”, relata Nirlando, visivelmente emocionado.
Laudos médicos e sociais comprovam condição do jovem
Documentos obtidos pela reportagem comprovam a condição de saúde de Kaique. Um relatório do Centro de Referência de Assistência Social (CRAS) Vila Cemig o descreve como acompanhado pelo serviço devido a ‘vulnerabilidade social familiar e dificuldades relacionadas à sua deficiência mental e autismo’.
Um relatório médico do Centro de Saúde Vila Cemig detalha o histórico do rapaz, com crises convulsivas desde os 3 anos e frequência em escola especial devido a dificuldades de aprendizado. “Eu mandei [os documentos] na delegacia ontem, eles nem visualizaram. Não deram nem atenção”, lamenta o pai.
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Contraste com declarações oficiais e revolta familiar
A declaração do vice-governador Mateus Simões (PSD), de que na ação ‘só foram mortos e feridos criminosos’, gerou revolta na família. “Meu filho não é bandido não. Meu filho não sabe nem o que é uma arma”, rebate Nirlando, argumentando que a capacidade mental de Kaique corresponde à de uma criança de 10 anos.
Até a tarde desta sexta-feira (5/12), a Justiça ainda não havia marcado a audiência de custódia de Kaique. A Polícia Civil foi procurada por O TEMPO, mas ainda não se posicionou oficialmente sobre a prisão do jovem.
Relembre o ataque que chocou o Barreiro
O confronto armado, que deixou dois mortos e nove feridos, ocorreu na última quinta-feira (4/12). Inicialmente, a Polícia Militar informou que o evento reunia indivíduos ligados ao tráfico de drogas. Contudo, em um registro policial posterior, a PM alterou a informação, afirmando tratar-se de uma ‘celebração após uma partida de futebol’.
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Um veículo e duas motocicletas chegaram ao local com ocupantes vestidos com uniformes da Polícia Civil, simulando uma operação. Os falsos policiais teriam iniciado o tiroteio. O motorista do veículo foi encontrado morto no local, com um fuzil sobre o colo. Outro homem envolvido na ação não resistiu aos ferimentos após ser socorrido.