O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, está impulsionando uma iniciativa ambiciosa no âmbito do G7 para a criação de uma reserva estratégica de terras raras. O objetivo principal é romper a dependência de fornecedores chineses, que atualmente dominam o mercado global desses minerais essenciais para diversas tecnologias avançadas, como energias renováveis e eletrônicos.
Pressão americana e interesse japonês
A proposta, com forte apoio de Trump, deve ser formalizada em uma declaração conjunta a ser anunciada nesta quarta-feira. O Japão, que já sofreu restrições de exportação de minérios pela China, também considera a iniciativa estratégica. O presidente americano desembarcou em Evian, onde ocorrem as discussões, com a intenção de apresentar os detalhes de como espera montar a estrutura dessa reserva.
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Brasil se distancia da proposta
O Brasil foi convidado a participar do debate, mas o governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva avalia que não há convergência de posições sobre o assunto. Apesar de o presidente Lula ter chegado a Evian e planejar reuniões bilaterais, incluindo com o presidente francês Emmanuel Macron, a adesão à proposta do G7 foi descartada por fontes do governo brasileiro. Por não ser membro do G7, o Brasil também não teve espaço para propor alterações ou negociar o texto.
Desafios e divergências dentro do G7
Apesar da pressão americana, a criação de um acordo sobre terras raras no G7 enfrenta desafios internos. Membros europeus demonstram cautela, alertando que a recriação de uma cadeia de suprimento pode gerar impasses e encarecer a produção. Há divergências sobre a forma de gestão da reserva: Trump deseja controle direto da Casa Branca, enquanto os europeus defendem a criação de um organismo governamental vinculado a agências como a Agência Internacional de Energia (AIE) ou a OCDE.
Posicionamento europeu e francês
Mesmo com as divergências, o presidente francês Emmanuel Macron defendeu a necessidade de um acordo entre as democracias para evitar um mercado controlado pela China. A França, em particular, tem buscado ativamente diversificar o acesso a minerais críticos. O país está investindo em projetos de extração e reciclagem, como uma fábrica franco-japonesa com o objetivo de suprir toda a demanda francesa até 2030.
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Medidas concretas e futuras alianças
A minuta da declaração do G7 posiciona os minerais críticos como essenciais para a segurança energética e geral, criticando as práticas restritivas da China que, segundo o bloco, distorcem os mercados globais. O G7 visa fortalecer uma cadeia de suprimentos segura e resiliente por meio de investimentos, reciclagem e novos padrões de aquisição. Negociadores indicam a urgência em construir cadeias de suprimentos que não dependam de um único país. A França também propõe um “conjunto de ferramentas comum” com medidas como acordos comerciais estratégicos, preços mínimos, cotas e tarifas. Parcerias com a Índia e países africanos também estão em pauta.
Agenda de diversificação do Brasil
Paralelamente às discussões do G7, o presidente Lula tem mantido agenda focada em diversificação econômica. Em Genebra, ele se reuniu com o presidente da Suíça, Guy Parmelin, e ambos se comprometeram a trabalhar pela ampliação da pauta de exportações bilaterais. O acordo Mercosul-EFTA foi visto como uma oportunidade para o aumento do comércio, em um cenário global de crescente protecionismo. A cooperação em áreas como inteligência artificial, transição energética e minerais críticos também foi discutida.
Fonte: G1
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