O governo de Minas Gerais avança com a privatização da Companhia de Saneamento de Minas Gerais (Copasa), responsável pelo abastecimento de água e coleta de esgoto em centenas de municípios mineiros. O processo, que visa reduzir a participação do Estado na companhia para 5%, com a manutenção de uma golden share, tem gerado debates sobre seus impactos regionais e a atratividade para grandes investidores.
Estrutura da Privatização e Desistência de Investidores
A estrutura proposta para a privatização prevê que o Estado reduza sua participação acionária de 50% para 5%, mantendo uma ação com direitos específicos de veto. Um investidor de referência ficaria com 30% das ações, e os 64,6% restantes seriam negociados no mercado como free float. No entanto, a Sabesp, uma das maiores empresas de saneamento do país, decidiu não participar da disputa. A avaliação da companhia paulista foi de que “a conta não fechou”, citando riscos no modelo de negócio, incertezas contratuais com prefeituras mineiras e o instável cenário político local.
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Riscos Políticos e Cenário Eleitoral
A hesitação de grandes players como a Sabesp se deve, em parte, às incertezas sobre o posicionamento de futuros governadores em relação à privatização. Nomes importantes nas pesquisas eleitorais em Minas Gerais não apresentam uma posição clara ou favorável ao modelo. Cleitinho Azevedo (Republicanos) já se manifestou contra a venda sem um plebiscito, enquanto Rodrigo Pacheco (PSB) defende uma “federalização” dos serviços. O atual vice-governador, Mateus Simões (PSD), que conduz o processo, aparece atrás nas intenções de voto.
Impacto na Competição e Oferta Futura
A ausência da Sabesp na disputa tende a reduzir a competição pelo controle da Copasa, o que pode limitar o ágio sobre o preço das ações. Embora a Aegea, com apoio de Itaúsa e GIC, ainda seja uma potencial interessada, a falta de um concorrente forte como a Sabesp pode desestimular ofertas acima do preço mínimo estabelecido pelo governo. Caso nenhum investidor âncora apresente uma proposta satisfatória, a oferta poderá ser pulverizada no mercado, com ações negociadas individualmente.
Controvérsias e Renúncia no Conselho
Um episódio recente envolvendo executivos da Aegea, principal interessada na Copasa, adicionou uma camada de complexidade ao processo. A companhia admitiu pagamentos de propina a políticos em concessões de água e esgoto, firmando um acordo de R$ 439 milhões com a União. Hamilton Amadeo, ex-CEO da Aegea por nove anos e que havia sido presidente do conselho da Copasa, foi um delator chave nesse acordo, admitindo autorizar pagamentos ilegais. No mesmo dia em que os detalhes vieram à tona, Amadeo renunciou ao cargo na Copasa, em uma manobra interpretada como uma tentativa de blindar o processo de desgastes políticos e reputacionais.
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Oportunidades de Expansão e Marco Regulatório
A Copasa atende cerca de 12 milhões de pessoas em Minas Gerais, com cobertura de água acima de 99% e de esgoto em 80,4%, abaixo da meta regulatória de 90%. A empresa se apresenta como uma oportunidade de investimento para a expansão do saneamento no segundo maior estado do Brasil. A tese de investimento se apoia em cinco pilares: escala no setor, melhoria do marco regulatório, expansão da base de ativos, programa de eficiência operacional e a privatização como catalisador de governança. A terceira revisão tarifária resultou em um reajuste de 6,56%, acima da inflação, e a nova lei estadual permite a extensão de concessões até 2073, com adesão voluntária dos municípios a blocos regionais. O contrato de Belo Horizonte, renovado até 2073, serve como modelo, com metas de universalização e compartilhamento de ganhos de eficiência.
Desempenho Financeiro e Investimentos
Nos 12 meses encerrados no primeiro trimestre de 2026, a Copasa registrou receita líquida ajustada de R$ 7,47 bilhões e Ebitda ajustado de R$ 2,93 bilhões, com margem de 39,2%. O lucro líquido foi de R$ 1,35 bilhão. No entanto, a alavancagem aumentou, com a dívida líquida saltando de R$ 3,8 bilhões em 2023 para R$ 7,1 bilhões no primeiro trimestre de 2026. O Capex (investimentos em obras e expansão) também cresceu expressivamente, passando de R$ 1,047 bilhão em 2021 para R$ 2,924 bilhões em 2025, com foco na universalização do esgoto, regularidade do abastecimento e redução de perdas.
Fonte: Brazil Journal
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