Morre Odilon, livreiro que transformou descarte em sebo a céu aberto na Zona Sul de BH

Morre Odilon, livreiro que transformou descarte em sebo a céu aberto na Zona Sul de BH

Odilon Tavares, o emblemático livreiro que estabeleceu um sebo a céu aberto na popular esquina entre a rua Grão Mogol e a avenida do Contorno, no bairro Carmo, região Centro-Sul de Belo Horizonte, faleceu nesta segunda-feira (18/5). A notícia entristece a comunidade local e os amantes da leitura que frequentavam seu espaço. A trajetória de […]

Resumo

Odilon Tavares, o emblemático livreiro que estabeleceu um sebo a céu aberto na popular esquina entre a rua Grão Mogol e a avenida do Contorno, no bairro Carmo, região Centro-Sul de Belo Horizonte, faleceu nesta segunda-feira (18/5). A notícia entristece a comunidade local e os amantes da leitura que frequentavam seu espaço.

A trajetória de um sonhador com livros

Odilon, que iniciou sua jornada profissional como catador de materiais recicláveis, desenvolveu um profundo carinho pelos livros descartados que encontrava. O que começou como uma coleção pessoal, alimentada pelo sonho de criar uma biblioteca itinerante em um ônibus para levar cultura a cidades do interior mineiro, logo se transformou em um ponto de encontro literário na capital.

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Seu acervo, estimado em pelo menos três mil exemplares, era oferecido a preços acessíveis, custando R$ 5 cada livro. A iniciativa transformou a paisagem urbana da Zona Sul de BH, atraindo um público diversificado.

Desafios e resiliência diante da adversidade

Apesar da paixão e do trabalho árduo, Odilon enfrentou momentos difíceis. Em junho de 2020, seu sebo foi alvo de um ato de vandalismo, com livros sendo queimados. Na época, ele expressou sua perplexidade, mas também sua resiliência, afirmando que as adversidades da vida o haviam tornado forte.

Pouco tempo depois, o livreiro sofreu um roubo expressivo, com cerca de 5.000 exemplares sendo levados. Esse foi um golpe significativo, considerando que ele costumava deixar os livros embalados no local, confiando na comunidade que o cercava.

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O sonho do ônibus e a persistência

Meses após o incêndio, uma vaquinha organizada por amigos e clientes permitiu que Odilon adquirisse um ônibus, um passo concreto em direção ao seu antigo sonho da biblioteca itinerante. Contudo, o destino impôs mais um obstáculo: o coletivo, estacionado na rua, também foi vandalizado.

Mesmo diante de tantos reveses, Odilon não desistiu. Ele retornou com seu trabalho sob as marquises, mantendo o sebo ativo e o espírito literário vivo na esquina do Carmo.

Futuro incerto para o sebo a céu aberto

Com o falecimento de Odilon, o futuro do seu legado, o sebo a céu aberto, torna-se incerto. Informações de pessoas próximas indicam que outros livreiros da região manifestaram o desejo de manter o ponto, possivelmente como um local para receber doações e dar continuidade ao trabalho iniciado por Odilon.

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No entanto, até o momento, nenhuma decisão definitiva foi tomada sobre a continuidade do popular sebo que marcou a vida cultural e urbana de Belo Horizonte. Odilon deixa uma lacuna no cenário literário da capital e a lembrança de um empreendedorismo movido pela paixão aos livros e pela crença na democratização do acesso à leitura.

Fonte: O Tempo

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