O ex-presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, declarou nesta terça-feira (2) que qualquer país responsável pelo tráfico de drogas para o território americano está sujeito a ataques militares. A afirmação foi feita durante uma reunião com secretários de governo e teve a Colômbia como um dos exemplos citados.
Ameaças e acusações diretas
Trump acusou a Colômbia de manter fábricas de produção de cocaína, cujos produtos seriam enviados aos Estados Unidos. “Qualquer um que esteja fazendo isso e vendendo para dentro do nosso país está sujeito a ataque, não só a Venezuela”, disse, ampliando o escopo de suas ameaças.
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Ele reforçou a crítica à Venezuela, descrevendo a situação como “muito ruim”, mas ressaltou que “muita gente faz isso” e que esses países “enviam assassinos para o nosso país”.
As declarações ecoam críticas anteriores de Trump ao presidente colombiano, Gustavo Petro. Em outubro, Trump utilizou redes sociais para classificar Petro como “traficante de drogas ilegal” e acusar a Colômbia de incentivar a “produção massiva” de entorpecentes, alegando que o líder colombiano “não faz nada para deter” o tráfico, que se tornou o “maior negócio” no país.
Reação da Colômbia e contexto global
O presidente colombiano, Gustavo Petro, respondeu prontamente às falas de Trump, convidando-o a visitar a Colômbia para presenciar a destruição diária de laboratórios de cocaína. Petro afirmou que a Colômbia tem sido fundamental para impedir a chegada de milhares de toneladas de cocaína aos Estados Unidos.
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O Relatório Mundial sobre Drogas de 2025, da agência da ONU para Drogas e Crimes (UNODC), aponta a Colômbia, Peru e Bolívia como principais origens da cocaína consumida nos EUA. O fentanil, opioide responsável por uma alta taxa de overdoses, tem o México como principal origem.
Desde setembro, os EUA intensificaram a presença militar no Caribe sob o pretexto de combater o tráfico internacional, com foco especial na Venezuela, mas também com atenção à Colômbia.
Cooperação com o Brasil
Em paralelo a essas declarações, o combate ao crime organizado foi tema de uma conversa telefônica entre o presidente brasileiro, Luiz Inácio Lula da Silva, e Donald Trump. Segundo o governo brasileiro, Lula enfatizou a urgência de fortalecer a cooperação com os Estados Unidos no enfrentamento ao crime organizado internacional.
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O Planalto informou que Trump demonstrou “total disposição” para trabalhar em conjunto com o Brasil e oferecer apoio a iniciativas bilaterais voltadas ao combate a organizações criminosas.
Lista de países sob vigilância
Em setembro, o Departamento de Estado dos EUA divulgou uma lista de países identificados como maiores produtores ou rotas de trânsito de drogas ilícitas. A lista inclui Afeganistão, Bahamas, Belize, Bolívia, Birmânia, China, Colômbia, Costa Rica, República Dominicana, Equador, El Salvador, Guatemala, Haiti, Honduras, Índia, Jamaica, Laos, México, Nicarágua, Paquistão, Panamá, Peru e Venezuela. A inclusão na lista não implica necessariamente que esses territórios enviem entorpecentes diretamente aos Estados Unidos.